Sabe aquele conto de que o pai se torna pai quando segura o teu filho pela primeira vez? Sim, aquela mesma história que muitas pessoas já desmentiram por motivos óbvios e com argumentos muito válidos. Não acontece assim para todos. Sei bem.

Tal como o lance de que cada bebê é um bebê é importante acreditarmos que cada parto é um parto para aqueles ali envolvidos. No meu caso a coisa aconteceu como na versão bonita da história.

Ter tocado na minha filha assim que ela veio ao mundo, em um parto bem próximo do qual havíamos sonhado, me transformou. Senti uma força me preencher naquela terceira noite seguida com a minha companheira em trabalho de parto. Uma força se apoderou de mim e senti o que é o tal amor incondicional. Uma coisa sem tamanho. Algo intangível.

Para tentar traduzir um pouco do que foi aquele momento vou mostrar para vocês algo que escrevi para a minha pequena Elis.


Nasceste

Nasci também

Nasci quando acolhi tua mãe

Nos momentos que antecederam tua vinda.

Nasci quando te vimos, pela primeira vez, naquele quartinho quase escuro

Nasci quando olhou para mim e segurou meu dedo

Nasci quando, naquele mesmo dia, pus mamãe e filha para dormir cantando

Lembro cada uma das palavras daquela canção              

Lembro da sua respiração sobre o meu braço

Enquanto dançávamos ao som daquelas palavras.

Nasci para um mundo que eu não conhecia

Um mundo que só fez sentido quando chegaste

Um mundo que estou apanhando para aprender junto de ti

Este homem que nasceu naquela madrugada

Este aqui que tu assististe o nascimento

É muito melhor que o outro que existia antes de ti

Agora sabe o que tem que buscar

Por mais difícil que seja se libertar dos vícios de antes

Sabe qual a razão para estar aqui

Sabe para onde tem que seguir

E vamos juntos

Acontece assim a construção de uma família

Vamos juntos… Entrelaçados!

 

Não desista de um sonho, antes de juntar um meu.

Os meus passos seguem em frente, logo atrás dos teus!