Os 3 problemas do castigo

Quais são os 3 grandes problemas do castigo? Por que ele não funciona de verdade? E por que insistimos em usar o cantinho do pensamento?

Os nomes são muitos, mas o objetivo é o mesmo: punir as crianças, para que elas aprendam uma lição.

Castigo, punição e cantinho do pensamento 

Quando você pergunta a pais ou mães sobre o castigo e seus motivos, muitos usam algumas das seguintes respostas para justificar esse método de disciplina: — Colocar de castigo é melhor que bater, né? — Eu sempre ficava de castigo e estou bem hoje. E, olha, eu merecia mesmo ficar de castigo, eu era terrível!

Para começo de conversa, não dá para justificar uma agressão com outra, né? Castigar é melhor do que bater, bater é melhor que dar uma paulada, e por aí vai. Então, vamos desconsiderar esse primeiro exemplo que as pessoas dão, porque simplesmente não faz sentido. Mas tem as mães e pais que pensam que mereceram, de fato, todos os castigos (e até agressões) que receberam. Pensam também que não foi nada demais, que não houve impacto algum em suas vidas. Vamos refletir um pouco sobre isso e, espero, que no final do texto, já tenhamos uma noção bem diferente dessa.

Pensando especificamente em castigos, podemos levantar alguns problemas que eu encontro nesse método de disciplinar filhos. Qual o problema do castigo? Bem, podemos listar vários problemas, então vou falar de 3 deles que eu acho que são bem grandes. 

1) CASTIGOS NÃO FUNCIONAM A LONGO PRAZO

Você pode até pensar que eles são eficientes a curto prazo, porque interrompem imediatamente um mau comportamento. Ok, eu concordo. Mas a longo prazo isso não funciona, porque você está apenas olhando para o comportamento, e não está tratando dos sentimentos e as necessidades por trás disso.

Com o passar do tempo, os castigos passam a ser cada vez menos eficazes. Os pais adeptos do castigo começam a concluir então que seus filhos são crianças-problema, extremamente mal educados e a única solução é aumentar a intensidade do castigo. Os castigos se intensificam, com pais usando a criatividade para bolar punições cada vez mais cruéis, mas que funcionam cada vez menos. Pense comigo: você já deve ter passado por isso, ou ouvido alguém próximo falar sobre isso.

2) O RESULTADO NÃO É BEM O QUE NÓS ESPERAMOS

Os castigos provocam o tipo de reação completamente diferente do que a gente espera. Você pode pensar que um bebê de 1 ano, colocado no cantinho do pensamento, vai pensar sobre o que ele fez de errado? Mas nunca que isso vai acontecer! E você sabe por que? Porque ele não tem a menor maturidade cerebral para lidar com esses conceitos abstratos.

Mas e o castigo para uma criança mais velha? Ah, isso deve funcionar, não? Uma criança de 5 anos no cantinho do pensamento com certeza vai pensar sobre o que fez de errado. Na verdade, não. Muito provavelmente essa criança terá uma dessas reações: ressentimento, vingança e um sentimento de inferioridade, que mina a autoconfiança e autoestima. Pense um pouco agora e lembre-se da sua própria infância. Quantas vezes você não se sentiu assim? Quantas vezes você não pensou nessas coisas?

3) PASSAMOS A MENSAGEM ERRADA QUANDO CASTIGAMOS

Acho que ninguém tem dúvida que filhos são colocados de castigo porque seus pais os amam e querem que eles evoluam, porém, essa não é a mensagem que chega até eles. Muitas vezes, na verdade, a mensagem que passamos com as nossas atitudes são completamente opostas ao que desejamos.

Imagine uma criança que está tendo dificuldades de lidar com seus sentimentos, pedindo ajuda para lidar com uma crise emocional, ou que faz alguma malcriação porque está com alguma necessidade não atendida. Se pararmos para pensar, essa criança já está sofrendo de algum modo e, mesmo sem saber como pedir da melhor maneira, ela está precisando da nossa ajuda, do nosso afeto e do nosso acolhimento. E, ao invés disso, o que fazemos? Deixamos de castigo. Afastamos nossos filhos quando eles mais precisam de nós.

MAS E SE FOR UM CASTIGO LEVE?

Bem, castigo é castigo. Leve ou pesado, continua sendo castigo. Independente do “tipo de castigo”, não conseguimos tratar do que está por trás do mau comportamento, como os sentimentos e necessidades. Sem contar que a oportunidade de utilizar a consequência lógica é perdida, ou seja, comida no chão, chão sujo, é preciso limpar o chão.

Além disso, particularmente (apesar de saber que isso é muito pessoal), gostaria que meu filho me pedisse desculpas quando e se ele estivesse realmente arrependido. Senão é vago, só para sair do castigo mesmo.

Para mais dicas como essas e tudo sobre o universo da parentalidade:

Educação parental Criação com apego Disciplina positiva

Paizinho, Vírgula no Youtube

Thiago Queiroz