Qual é a intenção do seu elogio?

Elogios nem sempre são bons. Eles podem ser exagerados, vazios e até aprisionantes. Conheça algumas dicas para fazer elogios eficientes para o seu filho.

"Não podemos elogiar mais os nossos filhos? Quer dizer que agora até isso é proibido?" Claro que não! Podemos elogiar, mas existem alguns pontos que nos ajudam a ser mais eficientes, buscando construir a auto-estima deles.

1) FAÇA O ELOGIO SER SOBRE O SEU FILHO, NÃO SOBRE VOCÊ

Quando elogiamos os nossos filhos, tendemos a falar como nos sentimos em relação ao que eles fizeram: — Nossa, filho, estou muito orgulhoso de você! — Uau, filha, você fez aquilo e me fez muito feliz!

Qual o problema disso? Se todos os elogios que fizermos aos nossos filhos são centrados em como nos sentimos, então eles tenderão a buscar essas aprovações em nós, e não em suas próprias ações.

Ao invés de falarmos sobre o quão orgulhosos ou felizes estamos, podemos perguntar aos nossos filhos como eles se sentem em relação ao que fizeram. Dessa maneira, nós colocamos os nossos filhos no centro do elogio.

2) EVITE ELOGIOS VAZIOS

Você já deve ter ouvido elogios assim, quando você era criança: — Bom trabalho! — Boa garota! Mas agora que somos adultos, podemos nos perguntar: o que esses elogios querem dizer? Isso mesmo, nada. 

Também sabemos que, normalmente, esses elogios são feitos por quem não está prestando muita atenção no que a criança está fazendo, e então o “bom trabalho” acaba saindo em forma de “tapinha nas costas” da criança.

Com o tempo, a criança percebe que esses elogios são vazios e pode, inclusive, desistir de mostrar seus feitos e conquistas. Afinal, de contas, para que mostrar o que você fez se quem deveria estar prestando atenção em você está mais preocupado com qualquer outra coisa?

3) FAÇA ELOGIOS DESCRITIVOS

Essa é a regra de ouro para os elogios eficientes! Quando fazemos elogios descritivos, damos a oportunidade para os nossos filhos sentirem orgulho deles próprios, porque mostramos a eles, com um olhar externo, o que eles fizeram.

Assim, mostramos aos nossos filhos que estamos interessados e percebemos o que eles estão fazendo, e descrevemos o que eles fizeram, para que eles realmente percebam tudo aquilo que eles conseguiram fazer.

Por exemplo, ao invés de dizer um “belo desenho” para o seu filho, você pode tentar descrever o desenho que ele fez: — Caramba, filho, você fez esse desenho? Vi que você pintou essa parte de vermelho, e também desenhou essa bola aqui redondinha!  Ouvindo alguém descrever aquilo que você fez, é bem mais fácil sentir orgulho de si próprio.

4) SEJA GENUÍNO NA SUA REAÇÃO

Precisamos mesmo evitar as reações exageradas, mas isso também não significa que precisamos ter reações extremamente controladas, como se fôssemos robôs. Não precisamos falar  — Filho. Você. Desenhou. Essa. Bola. Vermelha. Como. Se. Sente?

O ideal é ser honesto com o seu filho, no sentido de reagir de maneira condizente com o que você está realmente sentindo. O ponto de equilíbrio é esse: estar consciente do que você sente e ser honesto ao demonstrar isso.

5) EVITE USAR RÓTULOS NOS ELOGIOS

Precisamos evitar os elogios baseados em rótulos: — Eita, filha, como você é inteligente! Dessa forma podemos passar a mensagem de que os nossos filhos são aceitos apenas quando conseguem entrar naquela caixinha em que os colocamos. Isso pode gerar grandes pressões ao longo da vida.

Imagine que o seu filho acertou o ditado na escola, e você gasta alguns minutos falando sobre como ele é inteligente, ou como ele é esperto e sempre tira dez nas tarefas da escola. A tendência é que essa criança, agora, sinta uma pressão para sempre acertar nos seus afazeres escolares, para continuar atingindo a expectativa de ser o “filho inteligente”.

Portanto, ao invés de simplesmente rotular os nossos filhos, podemos utilizar todas as alternativas anteriores desse texto: podemos perguntar a ele como ele se sente por ter feito aquilo, podemos focar no esforço que ele teve para atingir aquele objetivo, e podemos também perguntar a eles sobre quais as partes foram mais difíceis para ele naquela tarefa.

Ampliando o diálogo dessa maneira, com certeza permitirá que os nossos filhos sintam orgulho deles mesmos e, de quebra, ainda nos ajudará a fortalecer nossos vínculos com eles.

Vem descobrir e desconstruir outros mitos da parentalidade: 

Educação parental Criação com apego Disciplina positiva

Paizinho, Vírgula no Youtube

Thiago Queiroz