Hoje vamos mergulhar em um tema que considero um dos mais transformadores da Comunicação Não Violenta (CNV): os sentimentos. Se você já assistiu ao nosso terceiro episódio da série “CNV Na Real”, sabe que a conversa foi profunda. Se ainda não viu, corre lá para assistir depois de ler este post.
A Força da Vulnerabilidade: O Segredo de Marshall Rosenberg
Começamos o episódio com uma frase poderosa de Marshall Rosenberg, o criador da CNV: “Expressar nossa vulnerabilidade pode ajudar a resolver conflitos.” Parece contraintuitivo, não é? Vivemos em uma sociedade que muitas vezes nos ensina a ser fortes, a não demonstrar fraqueza. Mas a verdade é que, ao nos permitirmos ser vulneráveis, ao compartilharmos o que realmente sentimos, abrimos portas para a conexão genuína e para a resolução de conflitos de uma forma que a “força” jamais conseguiria.
Quando você se mostra vulnerável, você convida o outro a se conectar com a sua humanidade. É nesse espaço de autenticidade que a empatia floresce e os muros caem.
O Grande Erro: Confundir Sentimentos com Julgamentos
Ah, essa é a parte que mais gera “nós na cabeça”! Quantas vezes você já disse (ou ouviu): “Eu sinto que…” e completou com uma opinião ou um julgamento? Por exemplo:
- “Eu sinto que meu filho está me manipulando.”
- “Eu sinto que meu parceiro não me valoriza.”
- “Eu sinto que essa situação é injusta.”
Percebe a diferença? Nenhuma dessas frases expressa um sentimento. Elas são, na verdade, pensamentos, interpretações ou julgamentos sobre o comportamento do outro ou sobre a situação. E a CNV nos ensina que, enquanto estivermos nesse campo, a comunicação será um campo minado.
Um sentimento é algo que acontece dentro de você. É uma reação interna a uma necessidade atendida ou não atendida. Quando você diz “Eu sinto que meu bebê está muito agitado”, você está julgando o bebê. Mas se você diz “Eu me sinto exausto” ao observar a agitação do bebê, aí sim você está expressando um sentimento seu.
Outro exemplo clássico: “Eu sinto que isso é inútil.” Isso não é um sentimento. O que você realmente sente pode ser frustração, desapontamento, desânimo. A chave é ir além da superfície e nomear a emoção que está pulsando em você.
Ampliando Nosso Vocabulário Emocional
Para praticar a CNV de forma eficaz, precisamos expandir nosso repertório de palavras para descrever o que sentimos. Em vez de ficar no “bem” ou “mal”, que tal explorar:
- Quando suas necessidades são atendidas: Alegre, entusiasmado, grato, esperançoso, tranquilo, inspirado, confiante.
- Quando suas necessidades não são atendidas: Aflito, angustiado, assustado, irritado, cansado, magoado, frustrado, desapontado, preocupado, solitário.
Não existem sentimentos “bons” ou “ruins”. Todos eles são mensageiros importantes que nos informam sobre o nosso estado interno e sobre nossas necessidades. Negar um sentimento é negar uma parte de si mesmo.
Assumindo a Responsabilidade Pelos Seus Sentimentos
Essa é a cereja do bolo da CNV. É fácil culpar o outro pelo que sentimos: “Você me deixou com raiva!” ou “Você me fez sentir triste!”. Mas a CNV nos convida a uma perspectiva diferente: o outro pode ser o gatilho, mas a causa dos nossos sentimentos está nas nossas próprias necessidades e expectativas.
Quando você diz “Eu me sinto irritado porque você não lavou a louça”, você está atribuindo a causa da sua raiva à ação do outro. Na CNV, a frase seria mais como: “Quando vejo a louça suja, eu me sinto irritado porque preciso de mais cooperação e ordem em casa.”
Percebe a diferença? A responsabilidade é sua. E isso é libertador, porque nos dá o poder de agir sobre nossas próprias necessidades, em vez de esperar que o outro mude para nos agradar.
Convite à Ação
A prática da CNV é uma jornada, não um destino. Convido você a assistir (ou reassistir) ao vídeo, a refletir sobre os seus próprios sentimentos e a começar a identificar a diferença entre o que você sente e o que você pensa. É um exercício diário de autoconhecimento e de coragem.
Vamos juntos construir relações mais autênticas, empáticas e verdadeiras. E se este conteúdo te ajudou, não esqueça de compartilhar com quem você ama e de deixar seu comentário. Sua participação é fundamental para continuarmos essa conversa!



