A Normalização da Violência pelos Pais: O Que Estamos Ensinando aos Nossos Filhos?

Nos últimos tempos, tenho visto uma onda de notícias e situações que me fazem questionar: até que ponto estamos normalizando a violência? E, mais importante, que tipo de exemplo estamos dando para as nossas crianças, especialmente para os meninos?

A Realidade Crua: Notícias que Chocam

Não é de hoje que a gente fala sobre os desafios da educação de filhos e a importância de uma paternidade consciente. Mas o que tem acontecido vai além do que podemos aceitar como normal. Vejam só alguns exemplos que me fizeram ligar o alerta:

  • No Futebol Infantil: A Federação Paulista de Futebol precisou proibir a presença de pais nas arquibancadas devido a ofensas, injúria racial, homofobia e brigas. Pasmem! Os próprios pais, que deveriam ser o suporte, se tornam a fonte da hostilidade.
  • Agressões Inexplicáveis: Notícias de um menino de 8 anos atingido com um soco no ouvido após uma brincadeira de criança, ou um homem agredindo uma criança de 4 anos durante uma apresentação infantil. E o professor agredido por pai de aluno? Isso é inaceitável!

Esses casos não são isolados. Eles refletem uma normalização da agressão que, infelizmente, se tornou comum em nosso dia a dia – nos parquinhos, nas pracinhas, nos campeonatos. Lembro-me de quando meus filhos faziam jiu-jítsu e judô. Nos eventos de troca de faixa, era chocante ver pais gritando, xingando seus filhos e outras crianças, e até dando ordens para machucar. Aquele ambiente, que deveria ser de respeito, se tornou tóxico. Foi um dos motivos que nos fez repensar a continuidade deles na arte marcial.

A Violência e a Construção da Masculinidade

Desde quando a violência se tornou natural? Ou, na verdade, por que ela sempre foi naturalizada, especialmente quando falamos de meninos? Por que a agressão e o gênero masculino parecem andar de mãos dadas? Essa é uma questão que me inquieta profundamente.

Se nós, adultos, que somos os principais modelos, estamos naturalizando o uso da violência física e da agressão como forma de resolver problemas, estamos passando uma mensagem perigosíssima para as nossas crianças. Estamos dizendo que é normal, que é aceitável resolver conflitos usando a força, que na “lei da selva de pedra”, o mais forte sempre leva a melhor. E isso não deveria ser assim em uma sociedade que busca ser democrática e pacífica.

O Impacto Profundo no Desenvolvimento Infantil

Crianças aprendem por imitação. Se os meninos veem os homens lidando com os problemas de forma agressiva e violenta, seus cérebros serão programados para pensar que essa é a única maneira de resolver as coisas. Esses comportamentos serão reproduzidos na escola, na pracinha, no prédio. A violência ocupará e dominará esses espaços desde a mais tenra idade.

“Se eles veem violência, eles aprendem violência. Agora, se eles veem respeito e diálogo, eles aprendem respeito e diálogo.”

Não estou dizendo que nossos filhos serão totalmente livres da agressividade – ela faz parte do ser humano. Mas incentivar a agressividade, ensinar que resolver problemas com violência é OK, e pior, que violência e afeto podem andar juntos, isso sim é gravíssimo. Quando um menino vê um adulto, seu pai ou um homem da família, que se descontrola e é violento, esse comportamento se torna o padrão, o modelo de masculinidade. Ele pode internalizar que para ser homem, precisa ser violento, bravo, e impor medo.

Dessensibilização e Ansiedade

Expor crianças à violência desde cedo as dessensibiliza. É como ver tanta desgraça na TV que acabamos perdendo a sensibilidade. Não queremos que isso aconteça com nossos filhos, cujos cérebros ainda estão em formação. É crucial evitar que a violência da sociedade contamine a fase da vida em que eles estão aprendendo sobre o mundo.

Não se trata de “treinar” o filho para um mundo violento. A resposta não é essa. Nossos filhos serão os adultos de amanhã. Não queremos que cresçam com a cabeça programada para resolver tudo na violência. Se queremos uma sociedade mais pacífica, precisamos pacificar nossos diálogos e relações hoje, tornando o ambiente mais seguro para que eles aprendam a resolver discordâncias e conflitos sem agressão.

Uma criança pequena, com o cérebro ainda em desenvolvimento, exposta à violência de forma naturalizada, terá níveis altíssimos de ansiedade. Não estamos mais na selva, fugindo de tigres. Nossos filhos precisam de um mundo seguro, onde a infância seja um momento de descobertas boas. Eles precisam acreditar que o mundo é bom. É um privilégio, eu sei, mas é o que devemos buscar.

A Cultura do “Cada Um por Si” e a Falta de Empatia

É triste ver a cultura do “cada um por si” se espalhando. “Ah, meu filho eu educo do meu jeito, você cuida do seu”. Isso é um erro! Somos seres sociais, feitos para viver em coletividade. Não há como prosperar achando que cada um vive por si. Todos dependemos uns dos outros. Ao ensinar o “cada um por si”, esquecemos de ensinar sobre o coletivo, os pactos sociais e, principalmente, a empatia.

O Caminho para a Mudança: Olhar para Dentro

Se você, pai, se identifica com esses rompantes de agressividade, preciso te dizer: procure ajuda. Terapia não é “coisa de doido” ou “só para mulher”. Terapia é para todo mundo que quer se conhecer, entender suas emoções, elaborar traumas e recontar sua própria história em um espaço seguro.

Muitas vezes, a violência que vemos hoje é um reflexo de como esses homens foram criados: ensinados a não falar sobre emoções, a reagir com violência à frustração, a não elaborar o que incomoda. Em vez de projetar a culpa no outro, precisamos olhar para dentro e entender o que nos incomoda em nós mesmos.

Nossas crianças estão nos observando o tempo todo. Nossos meninos estão mapeando nossas reações: se somos violentos, se choramos, se falamos sobre o que sentimos, se somos respeitosos, acolhedores, ou uma ameaça. Se nossa preocupação é ser modelos saudáveis para eles (e para as meninas também!), precisamos urgentemente olhar para dentro e resolver isso, ou pelo menos começar a tentar.

Podemos Mudar o Jogo!

Ainda podemos criar uma geração inteira que consiga resolver conflitos na base do diálogo e da empatia. Basta a gente querer. Pode parecer papo de coach, mas é real! Se mudarmos nossa atitude com relação aos nossos filhos e ao mundo, podemos sim fazer a diferença. Podemos mostrar a eles que é possível viver em uma sociedade pacífica.

É claro que a mudança é um movimento maior, que envolve governos e a sociedade como um todo. Mas quem está criando seu filho na sua casa agora é você. Uma pequena mudança em nossas atitudes já é um grande passo. Agindo assim, contribuímos para que outras crianças não sejam agredidas em jogos, não sofram preconceitos de raça, gênero ou sexualidade.

Precisamos agir agora, porque nossas crianças merecem isso. E, vou te falar, a gente também merece! É muito mais leve viver a vida dessa forma. Eu já fui esse cara com pensamentos violentos, e hoje é muito mais leve.

Ajude a Espalhar Essa Mensagem!

Se você gostou dessa conversa, me ajude a divulgá-la! Curta, compartilhe, marque nos stories. Sua atitude faz a diferença para que essa discussão chegue a mais ouvidos e corações, e para que mais homens reflitam sobre a violência que, infelizmente, ainda vemos tanto, especialmente no ambiente esportivo.

Veja esses conteúdos também!