A Realidade da Criação de Filhos: Por Que É Tão Difícil Falar Sobre Isso?

Hoje quero conversar com vocês sobre um tema que me tira o sono e que, acredito, mexe com muitos pais e mães por aí: a forma como falamos sobre criação de filhos nas redes sociais. Parece que caímos em uma polarização que nos afasta da verdadeira essência da parentalidade.

O Dilema dos Extremos: “Parentalistê” vs. Autoritarismo

Tenho observado um movimento pendular. De um lado, temos o que chamo de “parentalistê”: um estilo de educação parental que beira a perfeição, com paciência infinita, ambientes impecáveis e crianças sempre colaborativas. É lindo de ver, mas, sejamos honestos, é real? Além disso, essa performance, muitas vezes em busca de viralização, acaba gerando uma culpa imensa em quem está na trincheira, lidando com o caos do dia a dia. Quem nunca se sentiu inadequado ao ver um post e pensar: “Por que só eu não consigo?”

Por outro lado, ainda vemos resquícios de uma abordagem mais tradicional e autoritária, que enxerga a criança como manipuladora e a punição como a única forma de garantir obediência. No entanto, essa visão, além de ultrapassada, ignora a complexidade do desenvolvimento infantil e a importância de construir um relacionamento baseado em respeito e confiança.

Buscando o Caminho do Meio: Realidade, Autenticidade e Conexão

Minha proposta, e o que venho defendendo no Paizinho, Vírgula!, é que precisamos encontrar um equilíbrio na criação de filhos. Um caminho que abrace a realidade, a autenticidade e, acima de tudo, a construção de um relacionamento saudável com nossos pequenos. Não se trata de ser perfeito, mas de ser real.
Isso significa:

  • Admitir nossas falhas: Somos humanos. Erramos. E está tudo bem! O importante é modelar para nossos filhos o processo de reparação, de pedir desculpas e de tentar fazer diferente na próxima vez. Isso ensina mais do que qualquer sermão.
  • Co-regular emoções: Nossos filhos não nascem sabendo lidar com frustração, raiva ou tristeza. É nosso papel ativo ajudá-los a nomear essas emoções, a sentir e a encontrar formas saudáveis de expressá-las. Oferecer conforto e limites claros são as chaves.
  • Menos performance, mais presença: A idealização da parentalidade nas redes sociais é prejudicial. Ela nos afasta da nossa intuição e nos faz buscar um ideal inatingível. Precisamos estar presentes, de corpo e alma, nos momentos bons e nos desafiadores, sem a pressão de um roteiro perfeito.

Consumindo Conteúdo com Consciência

Sei que é tentador consumir conteúdo que nos mostra um mundo ideal. Mas convido vocês a serem mais críticos. Se um perfil ou um vídeo te causa mais culpa do que inspiração, talvez seja hora de reavaliar. Busque vozes que te tragam para a realidade, que te ajudem a se sentir mais capaz e menos sozinho nessa jornada.
No meu vídeo, aprofundo essa discussão e compartilho mais reflexões sobre como podemos navegar por esse universo da criação de filhos de forma mais leve e verdadeira. Assista e venha fazer parte dessa conversa!

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