Conheça as Etapas do Desenvolvimento da Audição e Linguagem dos Nossos Filhos

"A audição é um dos sentidos mais complexos do corpo humano e boa parte do seu desenvolvimento pode e deve ser acompanhado por pais, mães e cuidadores!"

O Fernando Maia (SciCast) é otorrinolaringologista e gravou com a gente um podcast sobre Linguagem e Fala no Tricô de Pais — recomendo muito, inclusive, que você ouça esse episódio!

Durante o programa, ele falou bastante sobre o desenvolvimento da audição e linguagem dos nossos filhos e o assunto ficou tão interessante que ele fez um post para compartilhar com a gente todas as etapas de desenvolvimento.

Boa leitura!


A audição é um dos sentidos mais complexos do corpo humano e boa parte do seu desenvolvimento pode e deve ser acompanhado por pais, mães, cuidadores e profissionais especializados. Neste texto vamos nos ater mais ao desenvolvimento da audição!

ANTES DO NASCIMENTO

Hoje sabemos que a função auditiva inicia-se antes do nascimento. A formação  da cócleca, órgão responsável pela audição e pelo equilíbrio pode ser observada na oitava à nona semana de gestação.

Muitos fatores da gestação podem influenciar, sendo que as infecções adquiradas pela mãe durante a gestação são uma causa importante de surdez na criança, diagnosticada por vezes logo ao nascer.

Mas se sabemos que antes de nascermos, já ouvimos, existiriam evidências disso? SIM!!

AS EVIDÊNCIAS

20 semanas de gestação

  • Ocorre aumento de batimentos cardíacos após estímulo acústico
  • Os sons graves chegam mais fortes que os sons agudos, devido a vibração que provocam no meio líquido. A voz masculina é escutada de maneira mais fácil no desenvolvimento da audição. Então coloquem sim música para o seu filho(a) escutar desde já!

Ao nascer

  • Bebês apresentam respostas de sucção ao ouvir a voz da mãe
  • 64% dos fonemas podem ser identificados dentro da cavidade uterina

TESTE DA ORELHINHA

O teste, que obrigatoriamente deve ser feito na maternidade, é de suma importância para o diagnóstico de perda auditiva. Hoje sabemos até que a incidência de deficiência auditiva é alta, principalmente quando comparada às outras doenças passíveis de triagem ao nascimento como o hipotireoidismo, anemia falciforme e fenilcetonúria, avaliadas no “teste do pezinho”. Observa-se que a incidência chega a ser 30 vezes superior à fenilcetonúria.

Para se alcançar um desenvolvimento de linguagem próximo do de uma criança ouvinte, o Joint Committee on Infant Hearing (JCIH, 2007) recomenda que ocorram o diagnóstico e a intervenção precoces nos casos de deficiência auditiva, seja por cirurgia ou próteses auditivas, sendo indicado até o terceiro e o sexto meses de vida, respectivamente.

DESENVOLVIMENTO DA AUDIÇÃO – SINAIS PARA SEREM OBSERVADOS!

O desenvolvimento do cérebro da criança acontece como um todo, sendo que as habilidades motoras vão se refinando junto com as demais funções como a audição e a linguagem. Abaixo vocês podem ver um gráfico de desenvolvimento motor normal:

Apesar de uma parte das crianças não seguirem estes marcos, vamos dividir por períodos para facilitar. O que devemos observar nas crianças em relação a audição e linguagem?

0-3 meses

Audição: o bebê reage para sons altos, se assusta com sons fortes e barulhos inesperados.

Linguagem: o bebê chora quando quer alguma coisa e se acalma a o ouvir a voz da mãe.

4-6 meses

Audição: A resposta de alerta aos sons é mais fácil de ser observada. O bebê procura sons a sua volta e reconhece mudanças na tonalidade da voz da mãe ou do pai.

Linguagem: início do balbucio, fase em que a criança começa a brincar com a produção de sons sem sentido (BA, BE, LA etc). Aos seis meses o balbucio tende a mudar, passando para a produção de sons agora com padrões de repetição e algum significado.

7-9 meses

Audição: reage de maneira diferente para sons fracos e fortes, localiza e reconhece sons familiares. Pode responder ao o próprio o nome quando é chamado e demonstra entendimento de palavras simples, como “mamãe”, “ papai” , “ tchau” e “ não”.

Linguagem: bate palmas, joga beijo quando solicitado e reclama quando é contrariado. Começa a imitar sons produzidos pelo adulto e sons de animais durante as brincadeiras, por exemplo.

1 ano

Audição: Associa sons a objetos, entende comandos simples e reconhece algumas palavras (por ex, “não”, “papá”, “mamãe”, “papai”, “vovó”, “vovô”)

Linguagem: início da produção das primeiras palavras. Aponta para brinquedos e alimentos favoritos quando solicitado.

1 ano e 6 meses

Audição: entende frases simples e pode apanhar objetos familiares quando é solicitada. Nesta fase, por exemplo, a criança já reconhece e aponta para partes do corpo sem a necessidade de gestos ou pistas visuais.

Linguagem: Começa a utilizar frases curtas para se fazer entender e o vocabulário aumenta para cerca de 20 a 50 palavras.

2 anos

Audição: a criança atende e realiza ordens simples quando solicitada e responde corretamente às perguntas feitas pelo interlocutor. Consegue sentar e escutar histórias e músicas simples. O tempo de atenção ainda é curto, mas esta é uma atividade interessante.

Linguagem: Ocorre um aumento importante do vocabulário falado, a criança se comunica com uso de sentenças simples, a fala já deve ser entendida por adultos que não estão em contato direto com a criança. É a fase em que a criança é bastante possessiva e nem sempre aceita compartilhar objetos com outras crianças.

3 a 4 anos

  • Responder a perguntas com “quem”, “onde” e “o que”.
  • Ter noção de “frente” e “trás”.
  • Conhecer as cores (vermelho, azul, amarelo, verde) e formas geométricas (círculo, quadrado, triângulo).
  • Utilizar frases de 3 a 4 palavras. Ex: “mamãe é linda!” “cadê a minha bola?”
  • Obedecer a ordens seguidas. Ex: “vai ao quarto e pega o sapato e dá para a vovó”.
  • Gostar de cantar e brincar com palavras e sons.
  • Brincar com outras crianças e saber esperar a sua vez no jogo.
  • Perguntar muito.

4 a 5 anos

  • Falar todos os sons da língua, mas ainda pode ter dificuldades nos encontros consonantais. Ex: planta, prato, braço.
  • Manter uma conversa.
  • Conseguir lembrar situações passadas e contar histórias simples, por exemplo, o que fez na escola, o que comeu, quem encontrou na rua, etc.
  • Gostar de brincar em grupo, de imitar personagens e brincar de faz-de-conta.
  • Ser curioso e ansioso para mostrar o que aprendeu e o que sabe fazer.
  • Conseguir contar histórias como narrador.

5 a 6 anos

  • Ter noção temporal. Ex: amanhã, ontem, hoje, antes, depois, dias da semana, manhã, tarde, noite, primeiro, segundo, terceiro…
  • Identificar letras do próprio nome.
  • Conhecer os números.
  • Manter uma conversa.
  • Falar as palavras corretamente.
  • Gostar dos amigos e de brincar de faz de conta. Ex: super-herói.
  • Interessar-se pela leitura e escrita.
  • Contar histórias com mais detalhes

 Alguns fatores ambientes podem influenciar no desenvolvimento da linguagem, dentre eles:

  • Criança fala mais cedo quando ambiente é rico em experiência verbal com adultos e com outras crianças. Elas não vão aprender a falar ficando na frente da TV! Eles vão aprender brincando e em suas atividades de vida diária, como tomar banho e comer, podem ser momentos de interação prazerosos e ricos em aprendizagem.
  • Baixo nível educacional dos pais
  • Distúrbios psiquiátricos dos mesmos
  • Paternidade precoce
  • Famílias incompletas ou com graves problemas de relacionamento

Mesmo na ausência dos fatores de risco, devemos sempre ficar atentos ao sinais de alerta para desordens da linguagem na criança, tais como:

  • nenhuma palavra emitida até os 18 meses; não colocação de duas palavras juntas aos dois anos;
  • ausência de desempenho imitativo e simbólico aos dois anos;
  • não formação de sentenças aos três anos; discurso incompreensível aos três anos)
  • o balbuciar que normalmente é produzido por volta dos 10 meses de idade, quando atrasado, pode prognosticar desordens da fala.

 

Referências:

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Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Sou Thiago, marido e pai. Também sou outras coisas, mas praticante mesmo, só marido e pai. Meus filhos, Dante e Gael, nasceram em casa e, desde o nascimento do Dante, mergulhamos no ativismo pelo parto e pela criação com apego. Hoje, sou líder do grupo de apoio para criação com apego: API Rio, e também educador parental certificado para disciplina positiva.
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