Palmada educativa: o que ela realmente ensina?

Neste artigo, reflito sobre o que a chamada “palmada educativa” realmente ensina. Algumas pessoas defendem que uma palmada pode ajudar a criança a entender que fez algo errado. Mas precisamos olhar para o que acontece com a criança nesse momento e para o tipo de relação que estamos construindo com ela.

A palmada não ajuda a criança a compreender por que determinado comportamento é errado. Ela pode fazer com que a criança sinta medo, tente esconder o que fez e se preocupe apenas em não ser descoberta. Medo não é respeito.

A palmada ensina medo, não respeito

Muitas vezes, confundimos medo com respeito por causa das nossas próprias histórias e das experiências que tivemos na infância. Uma criança pode deixar de fazer algo não porque entendeu que aquilo não é correto, mas porque sabe que sentirá dor se alguém descobrir.

Nesse caso, o principal aprendizado passa a ser não ser pega. A criança tenta esconder melhor o que fez, nega o comportamento e pode mentir porque está com medo da punição. Ela não mente necessariamente para provocar os pais. Muitas vezes, mente porque entrou em pânico.

Se queremos construir uma relação de confiança, precisamos criar um ambiente seguro para que nossos filhos consigam falar sobre as coisas que fizeram. Eles não podem nos enxergar apenas como juízes prontos para puni-los. Se a criança tem medo dos pais, fica mais difícil construir uma relação em que ela confie e conte o que está acontecendo.

O perigo de misturar amor e violência

Também existe um problema muito grave quando os adultos dizem que batem na criança porque a amam ou que a palmada serve para educá-la. Essa mensagem coloca amor e violência na mesma relação.

A criança pode crescer entendendo que é normal bater em alguém que amamos. Um menino que presencia ou sofre violência pode aprender que os relacionamentos amorosos funcionam dessa maneira. Isso não significa que ele necessariamente se tornará um agressor, mas essa mensagem apresenta a violência como uma possibilidade dentro das relações de afeto.

Se amamos alguém, queremos ajudar, orientar, disciplinar e ensinar essa pessoa a atravessar uma dificuldade. Queremos agir com empatia e construir uma conexão. A violência não precisa fazer parte desse processo.

Criança nenhuma faz o que faz por pura maldade. Precisamos tentar entender o que está acontecendo com ela para encontrar uma forma de orientar e ensinar.

Como a violência pode aparecer na vida adulta

Como psicanalista, acompanho pessoas que continuam vivendo ciclos de violência na fase adulta e não entendem por que repetem essas situações. Em muitos casos, existe uma história anterior de violência praticada por pais ou mães.

Quando a criança aprende que alguém pode machucá-la e ainda dizer que faz isso por amor, pode começar a entender que merece receber esse tipo de tratamento ou que essa é uma forma de se relacionar. Essa compreensão pode influenciar as relações que ela aceita mais tarde.

Por isso, evitar a violência na infância também significa evitar problemas que podem aparecer na vida adulta.

Existem alternativas à palmada

Eu sei que colocar limites, ensinar e disciplinar uma criança é difícil. Tenho quatro filhos e conheço esses desafios. Muitas pessoas acreditam que algumas situações só podem ser resolvidas com ameaça ou palmada.

Mas a violência nunca deveria ser uma opção. A palmada não precisa ser o único recurso nem o último recurso possível. Sempre podemos buscar uma solução baseada no vínculo, no diálogo e na tentativa de entender o que a criança está vivendo.

Se você enfrenta uma situação que parece impossível de resolver sem ameaçar seu filho ou dar uma palmada, quero ouvir sobre ela. Talvez esse problema possa abrir espaço para uma conversa e para a construção de outras alternativas.

Qual é o problema mais difícil que você enfrenta na educação dos seus filhos e acha que só a palmada resolve? Deixe nos comentários.

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