Pouca gente fala sobre os medos de ser pai pela primeira vez. Eu já fui um pai de primeira viagem e hoje tenho quatro filhos. Lembro desses medos e também dos muitos pais que compartilham comigo aquilo que sentem quando estão esperando a chegada do primeiro filho ou da primeira filha.
Por isso, reuni neste vídeo cinco medos que aparecem com frequência na primeira experiência da paternidade. Quero falar um pouco sobre cada um deles e lembrar que ninguém nasce sabendo ser pai.
O vínculo com o filho é construído no dia a dia
Um dos medos é não sentir imediatamente aquele amor avassalador que muitas pessoas descrevem quando falam do nascimento de um filho. Mas isso nem sempre acontece, e isso não significa que algo esteja errado.
O vínculo é construído principalmente na presença e no cuidado. Trocar uma fralda, participar dos cuidados e estar junto da criança são experiências que fortalecem essa relação. Mesmo quando o amor aparece de imediato, ele continua se fortalecendo no cuidado cotidiano.
A paternidade chega aos poucos. Em alguns momentos, percebemos que aquela criança ocupou um lugar central na nossa vida e que a relação foi sendo construída com a presença de cada dia.
Não saber o que fazer também faz parte do começo
Outro medo comum é não saber como cuidar do bebê. Nós não nascemos sabendo ser pais e não temos como esperar que tudo seja simples desde o primeiro momento.
O ponto não é ter todas as respostas. O importante é não se acomodar no medo e se dispor a aprender. Quando entendemos que somos responsáveis pelo cuidado daquele bebê, desenvolvemos a urgência necessária para buscar o que ainda não sabemos.
A mãe também não nasceu sabendo. Muitas vezes, ela parece mais habilidosa porque percebe que, se não fizer, ninguém fará e aquele bebê precisa ser cuidado. O pai precisa assumir essa responsabilidade e aprender as habilidades necessárias para participar efetivamente da paternidade.
O medo de repetir a história do próprio pai
Muitos homens têm medo de se tornar iguais ao próprio pai ou, no extremo oposto, querem fazer tudo de um jeito completamente diferente e não sabem por onde começar.
A nossa infância e as referências que recebemos fazem parte da nossa história. Até mesmo rejeitar um modelo pode funcionar como uma referência. Por isso, o caminho não é simplesmente apagar o que aconteceu, mas olhar para essa experiência, entender o que pode ser ressignificado e construir uma trajetória própria como pai.
Ser mais amoroso, gritar menos ou não repetir a violência que foi vivida podem ser objetivos importantes. Romper um ciclo de violência é difícil porque aquilo que vivemos pode aparecer justamente nos momentos de estresse. Isso não serve como desculpa, mas mostra que esses processos precisam ser reconhecidos e trabalhados para que possamos oferecer algo diferente aos nossos filhos.
A paternidade muda quem somos
Outro medo envolve perder a pessoa que éramos antes da chegada do filho. Mas nós já mudamos muitas vezes ao longo da vida. As experiências transformam a forma como pensamos, sentimos e agimos.
A chegada de um filho faz parte dessas mudanças. Precisamos de flexibilidade para atravessar as novas fases sem entender cada transformação como uma perda. A nossa história reúne diferentes momentos, e cada um deles participa de quem somos hoje.
A sensação de não ser suficiente
Os homens falam pouco sobre o medo de não ser suficiente. Eu sinto isso o tempo todo, mesmo não sendo mais pai de primeira viagem.
Muitas vezes, imaginamos que precisamos ser tudo para os nossos filhos. Mas esse tudo não existe. Tentar cumprir essa tarefa impossível pode gerar frustração e impedir que reconheçamos aquilo que conseguimos oferecer.
Um pai pode trabalhar muitas horas por dia e ter apenas meia hora ou uma hora com o filho antes de ele dormir. Talvez esse não seja o cenário ideal, mas podemos fazer o melhor com o tempo disponível. Podemos transformar esse período em um momento importante de conexão quando vivemos esse tempo com qualidade e intencionalidade.
Não adianta ter pouco tempo e permanecer no celular enquanto o filho tenta conversar. Se temos um momento disponível, vale a pena estar realmente presente nele. Podemos planejar mudanças maiores na carreira ou no trabalho para o futuro, mas a culpa diária não deve nos fazer perder a conexão que já podemos viver hoje.
Uma conversa aberta sobre os medos dos pais
Esses medos não aparecem apenas na primeira viagem. Alguns continuam presentes quando chega o segundo, o terceiro ou o quarto filho. Ainda assim, falamos pouco sobre o que os pais sentem e temem.
Se você é pai de primeira viagem ou já tem filhos há mais tempo, quero saber: qual é o seu maior medo hoje? Talvez ele não esteja entre os cinco que mencionei no vídeo. Deixe sua resposta nos comentários.



