Amando Juntos: Paternidade, Maternidade e Criação

"Eu sempre sou mais a favor de somar do que dividir, e na maioria esmagadora dos casos, isso funciona. É por isso que criação, para mim, é o melhor termo pois é o que traz a ideia de união entre a paternidade e maternidade. Sem conflito de gêneros ou interesses, já que o propósito é o mesmo: os filhos, mas sempre respeitando a individualidade."
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Há algumas semanas atrás, recebi o belo convite para participar da seção Os Mamíferos, do Vila Mamífera. Não preciso dizer o quão contente eu fiquei com o convite, né? Aceitei prontamente e, às terças, sempre terei um texto meu por lá. A postagem da semana é Amando Juntos: Paternidade, Maternidade e Criação.

Amando Juntos: Paternidade, Maternidade e Criação

Nos tempos de hoje, quando muito se fala na conscientização da criação de filhos, acho bastante interessante falar um pouco sobre terminologias. Mas não se preocupe, pois isso não será nenhuma daquelas aulas chatas que você tem na sua memoria, até porque não sou nenhum especialista em etimologia. É mais um convite para refletir um pouco sobre o que se tem praticado em termos de nomenclatura, e que reflexos isso tem em cima de como nos estruturamos hoje. Temos hoje, três palavras muito empregadas, para o mesmo propósito, mas que passam por caminhos diferentes: paternidade, maternidade e criação.

Só que, antes de falar sobre essas palavras, é bom pensar sobre algo interessante: a palavra pais. Em inglês, essa palavra é conhecida por parents, que, vem do latim parentem¹, significando “pai ou mãe, ancestral”. Além disso, parentem é o uso substantivo do particípio presente de parere, que significa “trazer à frente, dar a luz a (no sentido do nascimento), produzir”. Pais, em português, é relacionado tanto ao pai quanto à mãe, mas percebe-se que sua raiz está em pai (masculino), enquanto parente, em português, diz respeito a todo outro membro da família que não seja o pai ou a mãe. Confuso? Sim, mas o que eu quero apontar aqui é que, na origem, lá no Latim, a coisa vem justamente de quem pariu, ou seja, a mãe. Parece óbvio agora, mas o caminho que levou uma palavra com origem na mãe se tornar uma palavra com raiz no pai, em nossa língua, é no mínimo tortuoso, não?

No português, a maioria dos termos com sentido comum aos gêneros acaba sendo escrita no masculino, e isso incomoda não só a mim, mas a muita gente. Se a pessoa, ou conjunto de pessoas que idealizaram o nosso idioma são um bando de machistas, isso é bem provável, mas esse não é o objetivo deste post e, infelizmente, é assim que está a língua que temos como mãe (pelo menos a nossa língua é chamada mãe, não pai). Porém, isso não impede que façamos algumas adequações, para a utilização mais adequada das palavras.

Paternidade

A paternidade agrupa todas as atividades que um pai pratica em termos de criação de seu filho, ou filha. Essa palavra, infelizmente, é mais utilizada hoje antecedida por “teste de”, ou seja, como ainda há uma certa escassez de pais (masculino) conscientes e ativos na criação de seus filhos, é raro você ouvir alguém dizer paternidade, sem que esteja se referindo a teste de paternidade.

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Maternidade

Analogamente, maternidade contempla todas as ações que uma mãe faz, no que toca ao seu filho ou filha. Contudo maternidade visa, também, valorizar o papel da mulher na família, reclamando para a mulher a sua importância. E é justamente por isso que, hoje em dia, o emprego da palavra maternidade em expressões como maternidade consciente, maternidade ativa, etc. torna-se tão frequente. Hoje, muitos blogs e grupos de discussão dedicam-se à maternidade, propondo novas reflexões sobre o papel da mulher como mãe e indivíduo.


Criação

Por mais que os gêneros devam ser respeitados e valorizados em suas únicas características, eu, como um pai, tendo a me sentir um pouco excluído quando discute-se maternidade no sentido geral de criação. Mas eu, intrometido do jeito que sou, não me abstenho de participar destes grupos, nem acho que nenhum pai por aí deva se abster também. É claro que existem assuntos relacionados estritamente à mulher, que giram ao redor apenas da maternidade, e estes assuntos raramente poderão ser tratados pelos homens com propriedade, só que pais (masculino) também precisam participar do que está sendo discutido hoje.

Ao mesmo tempo, sinto-me incomodado de criar ou promover um grupo de discussão sobre a paternidade. Não sei, acho isso desnecessário, porque a ideia de criar algo desse tipo me traz à mente a lembrança do que ocorre em muitas reuniões sociais, onde as pessoas dividem-se em grupos de homens e de mulheres. Homens falam de futebol e outras coisas chatas; mulheres falam de coisas que eu desconheço, porque nunca estive lá. Eu e minha esposa sempre quebramos essas convenções sociais, porque sempre que esse movimento de divisão natural acontecia, nós permanecíamos juntos, parte porque não queríamos nos separar e também porque ela dizia que os assuntos conversados no grupo das mulheres eram chatos. Já no grupo dos homens, tirando a chatice do futebol, sempre acabávamos conversando sobre video-games! Ah, sim, já recebemos muitos olhares tortos por causa disso, mas quem se importa?

Eu sempre sou mais a favor de somar do que dividir, e na maioria esmagadora dos casos, isso funciona. É por isso que criação, para mim, é o melhor termo pois é o que traz a ideia de união entre a paternidade e maternidade. Sem conflito de gêneros ou interesses, já que o propósito é o mesmo: os filhos, mas sempre respeitando a individualidade. A criação é a que mais se aproxima, em termos de significado, à palavra parenting, do inglês. E parenting tem sido muito aplicado hoje em dia, depois que o termo attachment parenting começou a se popularizar ao redor do mundo. Criação é global, se aplica para qualquer arranjo familiar: duas mães, dois pais, uma mãe, pais divorciados, e tantos outros arranjos igualmente importantes, todos buscando criar seus filhos da melhor maneira possível.

Nós, os caras, estamos por aí, retomando o nosso papel de cuidador e marido conscientes, papéis estes que nunca deveríamos ter perdido. Aos poucos, estamos nos multiplicando, contaminando outros caras, ajudando a dividir com as mulheres todos os pesos, dificuldades e alegrias que a criação nos proporciona. Hoje somos poucos, mas em breve seremos muitos. Todos juntos. Amando juntos.

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Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Sou Thiago, marido e pai. Também sou outras coisas, mas praticante mesmo, só marido e pai. Meus filhos, Dante, Gael e Maya, nasceram em casa e, desde o nascimento do Dante, mergulhamos no ativismo pelo parto e pela criação com apego. Hoje, sou líder do grupo de apoio para criação com apego: API Rio, e também educador parental certificado para disciplina positiva.

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