Hoje, 2 de abril, é Dia Mundial de Conscientização do Autismo e, sim, precisamos falar sobre a paternidade de crianças neuroatípicas. Por isso, chamei um amigo especial, o Wagner Yamuto que é pai adotivo do Gabriel, um menino com autismo. Além disso, ele toca o site Adoção Brasil e nós até gravamos um episódio do podcast Tricô de Pais sobre adoção com ele, e recomendo muito que você ouça!

Ah, sim, na próxima quinta-feira, dia 5 de abril, o Wagner estará no podcast Tricô de Pais novamente, junto com o Alexandre Duarte, para uma conversa muito sensível e especial, sobre como é ser pai de um filho com autismo.

Enquanto o podcast não chega, fiquem com o relato do Wagner.


Quando um homem avisa aos amigos que vai casar, escutamos diversos comentários de que a vida vai acabar e blá, blá, blá.

Depois, os mesmos amigos dizem para aproveitar o agora, porque depois que o filho chegar, acabou tudo. Acabou sua vida e mais blá, blá, blá. Se eu fosse um gato nascido aqui no Brasil ainda me restariam cinco vidas, então estou no lucro.

Chegou o momento em que meu filho nasceu e foi uma festa linda, amigos e famílias todos enviando boas energias e para minha surpresa descobri que a vida não acabou! A chegada de uma criança é vida e se você tem filhos, sabe que a vida realmente começa com a chegada deles.

Depois que temos filhos, qualquer coisa que acontece com eles é transportado aos pais elevado à milionésima potência. Ao presenciar um simples tropeço que termina com leves arranhões no joelho, a dor é automaticamente transferida para o meu joelho com uma intensidade brutal.

Em uma bela manhã, minha esposa e eu levamos o Gabriel em uma Neuropediatra. Entramos no consultório com um filho “normal” e 10 minutos depois saímos com um filho com AUTISMO. Já dentro do carro, voltando para casa, a sensação é de que a vida realmente tinha acabado.

Sofremos, choramos e ficamos de luto como se realmente tivéssemos perdido um filho. Por que comigo? Por que com ele? Por que?

Ao olhar para o lado, ele estava lá. Com o mesmo olhar distante que nunca tínhamos percebido até então. O olhar estava perdido, mas não seu coração e foi este pequeno grande homem que nos mostrou que a vida estava dando uma nova oportunidade de começarmos uma nova vida.

Você conhece aquela árvore Ipê-roxo?

Alguns olham para ela e pensam:

— Nossa, isso vai fazer uma sujeira!

Enquanto isso, outros admiram sua beleza e seus encantos.

O Gabriel nos ensinou e ver este outro lado e nos mostrou que cada conquista e cada momento deve ser vivido intensamente. Tão intenso como os abraços e beijos que ele faz questão de nos presentear todos os dias.