5 Dicas Para Lidar com a Birra de Forma Positiva

"Todo mundo que tem filho sabe: birra é um negócio que chega sem avisar e vem com força total. Conheça 5 dicas para lidar com a birra de maneira positiva!"

Todo mundo que tem filho sabe: birra é um negócio que chega sem avisar e vem, quase sempre, nos piores momentos e piores lugares. Para piorar, às vezes, ainda arrasta você junto, principalmente se você já esta em um dia ruim.

Para ser bem sincero, eu não gosto muito de usar a palavra birra. Você pode ler mais sobre os meus motivos nesse texto, mas, resumidamente, eu evito usar esse termo porque não quero minimizar o que está acontecendo com os meus filhos. Se você parar para pensar, é bem fácil olhar para o seu filho, no meio de uma crise de choro, e dizer:

— Ahhh, ele tá fazendo birra!

Se você não diz isso, você terá que pensar e tentar descobrir o que está acontecendo com ele, quais seus motivos, sentimentos e necessidades. E, vamos admitir: é difícil. Ainda mais se você está com as suas reservas de empatia bem baixinhas.

Então, se você está disposto a enxergar a birra de uma maneira diferente, como resistir ao convite de entrar no meio da birra e ter uma crise junto com o seu filho?

A chave disso é entender que a birra pode parecer que chega sem motivo algum, mas isso é a nossa visão. Para os nossos filhos, sempre tem um motivo, e um motivo bem grande. Grande o suficiente para fazê-los desmontar em lágrimas.

O Gael, no auge dos seus dois anos, entrou com tudo nessa fase, que tem sido mais intensa do que foi com o Dante, quando ele tinha dois anos. Por isso, estamos aqui nesse esforço de repensar estratégias para lidar com todos os conflitos da rotina diária.

Pensando nisso, algumas coisas têm me ajudado muito nesses momentos estressantes, gostaria de compartilhá-las com você.

1- Não é sobre você

Quando seu filho começa a chorar, espernear, se jogar no chão e dar todo aquele show, sempre vem o mesmo pensamento, na forma de uma voz irritante, que vem lá do fundo das nossas cabeças, cobrando uma ação nossa:

— Você precisa tomar uma atitude! Você não pode deixá-lo fazer isso! Ele precisa aprender uma lição!

Por mais que tudo ao seu redor lhe diga que você precisa tomar uma atitude, tente ignorar esses olhares e a sua própria culpa para entender que essa é justamente a pior hora para conversar ou ensinar alguma coisa para o seu filho.

Nesse momento, a criança não tem abertura nenhuma para ouvir ou absorver nada que você queira passar. Mais ainda: não é sobre você. Aquela criança não está fazendo uma birra para provocar, manipular ou testar você, ela só está passando por uma crise com um sentimento grande demais para ela lidar de uma maneira socialmente aceitável.

2- Não se apaga incêndio com fogo

Imagine que você está em casa e alguma coisa no meio da sala começa a pegar fogo. Você pode tentar apagar esse fogo jogando mais fogo em cima, mas isso só vai fazer com que você se queime, né?

A ideia é a mesma com os nossos filhos. Se uma criança começa um ataque de birra, a pior coisa a se fazer é gritar com ela. Ou ameaçar com algum castigo ou punição. Muito pior se você responder com algum tipo de humilhação.

Por que? Simples, porque você só estará aumentando os motivos para aquela crise aumentar em intensidade e, consequentemente, as chances de você se queimar junto nesse incêndio.

O que fazer, então? Tente ajudar seu filho a apagar o incêndio que existe dentro dele, com alternativas que irão acalmá-lo. Você pode oferecer um abraço, pode ensiná-lo técnicas de respiração, ou pode falar calmamente com ele sobre o que ele deve estar sentindo.

Não existe uma fórmula mágica, infelizmente, mas sempre tente algo que acalmaria você, e suas chances de ter sucesso com o seu filho são grandes.

3- Nomeie e acolha sentimentos

Eu sei, pode parecer clichê dizer “nomeie e acolha sentimentos”, mas poucas coisas são tão poderosas quanto isso, quando se trata de lidar com as birras dos nossos filhos. Isso porque parte do que compõe uma birra é justamente o desconhecimento.

Imagine você, aos dois anos de idade: você está vivendo feliz, até que alguma coisa não ocorreu como você esperava. De repente, você é tomado por um sentimento esquisito que só faz você ter raiva e chorar. E o fato de você não entender o que está acontecendo com você faz com que você queira chorar ainda mais.

Percebe? Na birra, os nossos filhos também estão perdidos sobre os seus próprios sentimentos, sem entender por que aquilo tudo está acontecendo com eles. Por isso é muito importante que os ajudemos a entender o que está se passando.

— Eita, filho, acho que você está muito bravo, né?

Ajudar os nossos filhos a identificar seus sentimentos ajuda bastante, mas isso não é tudo. Precisamos dar a segurança a eles de que entendemos o que eles estão sentindo. Isso é empatia, que é extremamente diferente de ter compaixão, ou até pena, dos seus filhos.

— Puxa, eu entendo a sua raiva, filho, eu também ficaria assim se fosse comigo.

Pronto, você não precisa fazer mais nada. Quando somos acolhidos de verdade, as coisas começam a se acalmar dentro dos nossos corações.

Mas e se a criança não parar de chorar? Bem, então isso significa que ela ainda não botou todo aquele sentimento para fora, e tudo bem! Lembre-se: não existe fórmula mágica.

4- Abraço sempre pode ajudar

Às vezes, os nossos filhos podem estar tão imersos em suas crises de choro que palavras podem não ser tão eficientes. Nesses casos, o bom e velho contato físico pode ajudar.

— Filho, entendo que você está muito triste. Você quer um abraço? Ou um colo?

Estar no colo de quem você ama sempre ajuda a acalmar o coração, não é? Então por que seria diferente com os nossos filhos.

Por isso, na próxima vez que você ver seu filho fazendo birra, tente oferecer um abraço, ao invés de um castigo! Mas lembre-se, o seu filho pode não estar muito a fim de abraços e toques em alguns momentos, e tudo bem! Às vezes, nós também estamos tão tristes que não queremos ninguém por perto, e gostaríamos que as pessoas nos respeitassem. O mesmo vale para os nossos filhos, só que isso é bem diferente de deixar seu filho chorando desconsolado, tá?

— Tudo bem, filho, você não quer colo agora. Vou ficar aqui perto, se você precisar de mim, estou aqui.

5- Respeite a si mesmo

Eu deixei por último a dica que é uma das mais importantes: se respeite. Essa é a melhor coisa que você pode fazer por você, e também pelo seu filho. É o melhor modelo de auto-respeito e amor próprio que você pode dar para ele.

Quando os nossos filhos fazem birra, é como se eles estivessem nos convidando para uma briga. Cabe a nós decidir se aceitaremos o convite e entraremos na briga, ou não. Nos dias em que não estamos muito bem, a probabilidade de aceitar esse convite é alta, e quando isso acontece, é como se fossem duas crianças de três anos brigando entre si, com a diferença de que apenas uma dessas crianças tem três anos de verdade.

Por isso é importante se respeitar. Não entre na crise junto com o seu filho: respire, se acalme. Mesmo que, para isso, você precise se afastar um pouco. Ainda assim, será ainda mais respeitoso do que explodir com ele:

— Olha, filho, eu estou muito bravo agora e não consigo falar com você. Vou para o banheiro me acalmar um pouco e já volto para conversarmos.

Fazendo isso, você mostra ao seu filho que você não é perfeito e, de quebra, ainda mostra a ele como ele também pode fazer quando estiver muito bravo. E antes que você pense que isso é uma punição, não é. Você não está fazendo isso com o objetivo de fazer seu filho se sentir mal, você só está se afastando para se acalmar. E isso é completamente diferente de falar algo como:

— Filho, você fez essa coisa horrível e, por isso, não quero você perto de mim.


Espero que essas dicas ajudem você na próxima crise! E se você tem mais dicas, deixe nos comentários! Tenho certeza que ajudará outros pais e mães!

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Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Sou Thiago, marido e pai. Também sou outras coisas, mas praticante mesmo, só marido e pai. Meus filhos, Dante e Gael, nasceram em casa e, desde o nascimento do Dante, mergulhamos no ativismo pelo parto e pela criação com apego. Hoje, sou líder do grupo de apoio para criação com apego: API Rio, e também educador parental certificado para disciplina positiva.
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