Caras e Peitos

"Quando você se torna pai, muita coisa muda, inclusive as relações de intimidade. Pode mudar mais para uns do que para outros, mas é fato: muda. Não pretendo me estender e falar sobre a sexualidade pós-parto como um todo, mas apenas como mudou a minha relação com peitos, muito especificamente, os da minha esposa."
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Semana passada, falei para Os Mamíferos, no Vila Mamífera, sobre como mudou a minha relação com peitos, depois que eu virei pai. Mais especificamente, os da minha esposa. Você pode ler o texto aqui também.

Caras e Peitos

Normalmente, homens têm essa fama (bem merecida, a bem da verdade) de serem verdadeiras bestas sexuais, como esses seres que têm uma libido infinita e facilmente provocados visualmente. Daí esses caras viram pais, e as coisas mudam um pouco. Pelo menos comigo mudou, e olha que eu nem era lá uma besta sexual antes. Por isso, venho contar um pouco sobre como isso aconteceu e vem acontecendo.

Em casos de homens que sentem-se atraídos por mulheres, a atração ocorre por diversos fatores e uma delas se enquadra na categoria atributos físicos, ou seja, somente o físico não é decisivo para um sentir atração pelo outro. Eu sei, eu sei, isso é óbvio, mas é bom sempre deixar as coisas claras, né? Sendo assim, um desses atributos, cujo peso na atração varia de homem para homem, são os peitos.

Quando você se torna pai, muita coisa muda, inclusive as relações de intimidade. Pode mudar mais para uns do que para outros, mas é fato: muda. Não pretendo me estender e falar sobre a sexualidade pós-parto como um todo, mas apenas como mudou a minha relação com peitos, muito especificamente, os da minha esposa.

Bem no início, nas primeiras semanas de vida do bebê, de uma maneira geral, você está tão absorto nas dificuldades, nas alegrias e tentando se adaptar à nova vida que o aspecto sexual de tudo fica realmente de lado. Minha esposa e meu filho tiveram muitas dificuldades com o início da amamentação, com direito a mastite, rachaduras, cândida, sangue e choro, muito choro. Essas dificuldades já fazem com que você comece a enxergar as coisas de uma maneira diferente. Nesse caso, as coisas são os peitos. Comecei a perceber que até então, minha visão era bastante limitada à conotação sexual e essas dificuldades fizeram com que eu começasse a expandir a minha percepção (não apenas sobre peitos, claro).

Isso é bastante interessante porque, por mais óbvio que seja, os homens não pensam muito no motivo real de mulheres terem seios. É mais um presente oferecido pela superexposição absurda ao erotismo à qual todos somos expostos desde muito jovens. O que eu quero dizer é que ninguém avalia uma potencial namorada pelo tamanho dos seios, pensando:

– Hmmm, essa jovem possui seios aparentemente saudáveis que proporcionarão uma ótima fonte nutricional para os nossos futuros filhos.

Compre o meu livro e ganhe uma dedicatória personalizada!

Você pode até pensar dessa maneira, mas provavelmente não conseguiria nenhuma namorada com esse tipo de cantada.

Hoje, com a amamentação sendo prazerosa tanto para a minha esposa e o meu filho, as cenas chocantes de dor que acompanhei fazem parte de um passado longínquo, que a mente fez o favor de deixar uma memória bem vaga (caso contrário, ninguém pariria ou amamentaria um segundo filho). E quando a maioria dos homens pensam que tudo volta ao normal, não voltam.

Agora, eu vejo os peitos dela com duas visões diferentes. A primeira, e mais intensa, é a de respeito. Respeito mesmo, porque afinal de contas, aqueles peitos são os responsáveis diretos pelo crescimento do meu filho. O leite que sai daqueles peitos é o que faz meu filho crescer com saúde, a cada dia. E ainda mais: esses peitos são os responsáveis por dar aconchego para o meu filho, sempre que ele precisar. É muita coisa, não mesmo? Esse sentimento de respeito não é no sentido hierárquico da palavra, como acontece quando você é obrigado a respeitar seu chefe, mas é uma relação de respeito por gratidão. Como se eu pudesse conversar com eles:


– Pô, peitos, queria agradecer por cuidarem tão bem do meu filho. Valeu mesmo, galera.

A segunda visão é a mesma de antes, a sexual mesmo. Sinto-me extremamente atraído, mas dependendo da ocasião, a parte do respeito e admiração pesam mais na balança. É uma coisa muito dinâmica, um pouco difícil de explicar, mas ocorre naturalmente e você não precisa se preocupar, porque você não está deixando de desejar a sua mulher. Ao contrário, eu a desejo ainda mais, cada dia mais, e de maneiras não meramente sexuais. Isso, minha gente, é sensacional.

Outra coisa interessante é como as coisas funcionam em público. Se uma coisa mudou bastante foi a nossa relação em público: se, antes do Dante, a minha esposa botasse os peitos para fora na rua, eu rodaria a baiana. Hoje? Bem, hoje, tanto eu como a minha esposa temos consciência de que os peitos dela viraram domínio público. Até porque, ninguém deveria ficar sentindo tesão no sanduíche que outra pessoa está comendo, né?

E você, pai? Como foi que você sentiu essas mudanças? Ou como o seu marido sentiu essas mudanças?

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Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Sou Thiago, marido e pai. Também sou outras coisas, mas praticante mesmo, só marido e pai. Meus filhos, Dante, Gael e Maya, nasceram em casa e, desde o nascimento do Dante, mergulhamos no ativismo pelo parto e pela criação com apego. Hoje, sou líder do grupo de apoio para criação com apego: API Rio, e também educador parental certificado para disciplina positiva.

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