Choque de Realidade com O Renascimento do Parto

"O Renascimento do Parto é uma voadora no peito da sociedade brasileira. Um choque de realidade que os brasileiros precisam para pensar sobre como as coisas devem acontecer no nascimento. É um filme que choca, ao mostrar a realidade atrás do teatro que se monta no nascimento de bebês de mãezinhas e paizinhos, ocultando uma indústria muito rentável de nascimento de bebês."
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Ontem, tivemos o prazer de assistir a pré-estreia do documentário O Renascimento do Parto, no Rio. Esta sessão foi basicamente feita para os benfeitores que ajudaram a bater todos os recordes de arrecadação de fundos, possibilitando a distribuição do filme. Só para dar uma noção do tamanho da mobilização feita pela comunidade ativista pelo parto natural, a primeira meta de R$ 65.000,00 foi atingida em 3 dias, enquanto que a meta completa de R$ 110.000,00 foi atingida em aproximadamente 1 semana. Ao final da campanha, mais de R$ 142.000,00 foram arrecadados, um motivo de orgulho a todos os benfeitores.

A expectativa era imensa, principalmente nos círculos ativistas, pois é a primeira vez que tanta informação boa é disponibilizada de uma vez só ao grande público, no circuito nacional de cinemas. Dessa vez, não são exibições escondidas, no submundo do parto humanizado, onde você chega num lugar, bate três vezes numa porta e precisa falar a senha para poder entrar. Está aí, para quem quiser ver.

Sendo assim, fomos assistir. Foi engraçado que parecia mais uma reunião do grupo de apoio à gestação, Ishtar: muita alegria e muita gente querida. Outra coisa muito peculiar foi a grande população de bebês, e por mais que as pessoas possam não acreditar, eles se comportaram muito bem na sessão. O Dante, talvez, tenha ficado um pouco excitado demais no debate ao final da exibição, fazendo bagunça, mas o que eu posso fazer? Ele estava feliz demais com tudo aquilo!

Para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer.Michel Odent

 

 

Mas vamos ao filme propriamente dito, e contar um pouco sobre as minhas impressões do filme. O Renascimento do Parto é uma voadora no peito da sociedade brasileira. Um choque de realidade que os brasileiros precisam para pensar sobre como as coisas devem acontecer no nascimento. É um filme que choca, ao mostrar a realidade atrás do teatro que se monta no nascimento de bebês de mãezinhas e paizinhos, ocultando uma indústria muito rentável de nascimento de bebês. Todas as paredes azuis e rosas do hospital, os funcionários que tratam você como ignorante, tudo maquiando o que existe na realidade: uma máquina de extrair bebês de dentro das barrigas de suas mães.

Felizmente, nunca havia assistido a uma cesariana, muito menos aos procedimentos horríveis praticados em mães e bebês. Em todas as reuniões de grupos de apoio ou conversas com amigos e amigas, eu ouvia o quão horrível eram essas intervenções, mas nunca vi nada disso, pois meu filho nasceu em casa. Posso dizer que tenho sorte de ser uma pessoa que não teve que testemunhar nada disso.

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Pois bem, ontem eu vi tudo isso. E me fez mal. Mal pra cacete.

Não conseguia olhar direito as barrigas sendo rasgadas em cesarianas, períneos sendo violados em episiotomias, colírios sendo pingados em bebês, bebês sendo aspirados, e muito, muito mais. Torturas documentadas, essas foram as grandes novidades para mim, até porque as informações, justificativas e até as pessoas que participaram do filme, eu já conhecia em alguma extensão. E eu acho que esse é o maior potencial do filme, o potencial de dar uma voadora no peito de cada mãe e pai, que pensam que podem arbitrar a data em que seus filhos irão nascer. E uma voadora em especial em todos os médicos que não têm informação baseada em evidências para fazer indicações reais de cesarianas.

Cesarianas salvam vidas, mas somente quando estas vidas precisam realmente ser salvas.

Em contrapartida, fomos agraciados com lindas imagens de partos humanizados, partos domiciliares e depoimentos emocionados. Inclusive com participação de rostos conhecidos e, ainda melhor, de amigas. Não é todo dia que você vê nas telonas o parto domiciliar da Valéria, que fotografou o nascimento do Dante!


O filme desempenha seu papel muito bem. Traz dados atuais, desmistifica várias questões que assombram o parto. Choca e comove, através do contraste entre os partos humanizados e as cesarianas realizadas indiscriminadamente. Tenho uma grande expectativa de que ele irá cutucar a ferida de muita gente, vai fazer muita gente se incomodar na cadeira e, principalmente, vai abrir o olho de muita gente. Que esse seja o pontapé inicial de uma grande discussão no Brasil sobre a atual situação obstétrica!

Para maiores informações sobre o filme e horários de exibição, acesse o site oficial. E também recomendo a leitura desta matéria sobre o filme, publicada no portal G1. Sinceramente, é a primeira vez que vejo alguma coisa que preste por lá, o que me faz crer que existe alguma índia ativista infiltrada!

O Renascimento do Parto, filme de Érica de Paula e Eduardo Chauvet, estreia amanhã. Assista uma, duas, três, mil vezes e dê ingressos de presente para suas amigas grávidas e futuros papais. Isso é muito melhor que dar uma tonelada de fraldas descartáveis e roupinhas de bebê, acredite.

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Comentários

  • Daniele Irineu disse:

    Fui ontem e achei MARAVILHOSO! Sai com a certeza de que estou no caminho certo e o melhor de tudo, agora, o marido que foi junto comigo, está falando em parto domiciliar! UHUUUUUUULLL FELIZ DEMAIS!

  • Sil disse:

    Ainda não assisti o filme, mas penso que a questão do parto natural precisa ser resgatada, também, do ponto de vista cultural. A mulher do século 21 não está preparada para ter um filho assim ou criá-lo com apego, doação. O normal deveria ser o parto natural. Mas fomos tão distanciados do nosso lado animal, que parir tornou-se um absurdo. Também tive minha filha em casa, para o choque total da população que me circunda, e amamentei sem nenhum problema. Mas me senti desamparada. Contei com minha intuição, com o apoio do meu marido e ponto. Ainda hoje, somos criticados pela nossa filha de 1,5 anos dormir conosco. Não me lembro de alguém ter me falado sobre ser mãe. Quando criança, eu brincava de correr, pular, se esconder… Na adolescência, eu brincava de fazer roupa descolada para a Barbie. Depois, entrei numa faculdade para aprender como colocar dinheiro dentro de casa. Acredito que seja uma questão de resgate da feminilidade.
    Sílvia Fernanda
    http://cademeutempo.blogspot.com.br/

  • Boa! Que venha logo pra Cuiabá, não vejo a hora uhulll!

  • Thiago Queiroz

    Thiago Queiroz

    Sou Thiago, marido e pai. Também sou outras coisas, mas praticante mesmo, só marido e pai. Meus filhos, Dante, Gael e Maya, nasceram em casa e, desde o nascimento do Dante, mergulhamos no ativismo pelo parto e pela criação com apego. Hoje, sou líder do grupo de apoio para criação com apego: API Rio, e também educador parental certificado para disciplina positiva.
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