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Como Intervir Por Uma Criança Que Está Sendo Agredida Em Público

"Quando uma criança sofre agressão em público, há recursos que os pais podem utilizar para intervir em nome de uma criança, antes que danos maiores sejam causados."
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Depois da experiência que passamos, onde a mãe agredia e humilhava o filho (leia mais em Sensibilidade Para Criar Filhos e Palmada), venho refletindo muito sobre isso. Mais ainda, venho tentando descobrir maneiras razoáveis de intervir e ajudar pais e filhos que estejam na mesma situação. Como intervir sem se intrometer? Como ajudar os pais a voltarem à razão, começando a tratar seus filhos com respeito?

Foi nessa busca que encontrei um texto muito esclarecedor, escrito por Natasha Joseph e Leah Callahan – co-fundadoras da página Criação com Apego em Condado Lane, sobre como intervir por uma criança que está sendo agredida em público, com algumas dicas práticas sobre o que você pode fazer quando presenciar uma situação dessas. O texto foi traduzido por Danielle Romais e revisado por Andréia C. K. Mortensen, do fanpage Bater em Criança é Covardia.

Como Intervir Por Uma Criança Que Está Sendo Agredida Em Público

“Observamos isso em todo lugar: uma mãe cansada, ao final de um dia estressante, perde o controle – e quem sofre é a criança.

Nós queremos ajudar, mas hesitamos. Será que é da nossa conta intervir? E se o fizermos, estaríamos nós envergonhando e antagonizando a mãe e consequentemente prejudicando ainda mais a criança?

Será que vamos cometer o erro de dizer bruscamente à mãe que precisa ser gentil com seu filho?

Não seria mais prudente passar sem fazer algum comentário? Até porque ninguém é perfeito.”

– Jan Hunt, Projeto A Criança Natural

 

Em julho de 2012, a líder da APLC (Associação da Criação com Apego do Condado Lane), Natasha Joseph, liderou uma reunião em grupo para nos ajudar a lidar com essa questão. As informações apresentadas aqui são um resumo dos recursos que os pais podem utilizar em situações que precisem intervir em nome de uma criança em locais públicos.

Como avaliar a situação

Antes de mais nada, avalie a situação: o que está acontecendo, quem está envolvido, que informações você tem e que informações estão faltando?

Então, avalie a si mesma: de onde vêm seus sentimentos? Você consegue agir de forma neutra, sem raiva?

Avalie se você está presenciando abuso ou perigo físico imediato a criança. Se julgar que sim, que o comportamento é abusivo e/ou a criança está em perigo eminente, chame as autoridades vigentes (Conselho Tutelar ou Polícia). Se o que você estiver presenciando não for tecnicamente um abuso e se a criança não estiver em perigo físico, mas, ainda assim, você estiver presenciando algo claramente prejudicial/perigoso, você pode escolher intervir usando um dos seguintes métodos:

Intervenção carinhosa /amistosa

Há muitas maneiras de intervir quando se presencia uma criança sendo tratada com agressividade em público. É importante ressaltar que pesquisas na área de Psicologia demonstraram o “efeito de expectador”, que é o seguinte: as pessoas assumem que alguém irá intervir e, pelo fato da maioria das pessoas assumir isso, normalmente ninguém realmente intervém.

É também importante ressaltar que qualquer que seja sua atitude, será uma intervenção – escolher não fazer nada é de fato uma ação, e tem consequências adicionais de se estar concordando com o comportamento agressivo e danoso.

Estudos científicos sugerem que uma intervenção amistosa é a que mais ajuda, pois proporciona mudança e ao mesmo tempo diminui as chances de causar consequências negativas, como deixar o pai/mãe ainda mais nervoso/a. Estudos clínicos também sugerem que, mesmo que o pai/mãe reaja negativamente à intervenção, a criança pode ter uma experiência positiva a partir dela. Muitos adultos em terapia lembram aquela única vez que alguém se dispôs a defendê-los.

Ofereça Ajuda

Talvez a forma mais fácil e eficaz de intervenção é simplesmente oferecer ajuda prática. Carregar algumas compras, segurar a criança, apertar o cinto de segurança.

Palavras de Encorajamento e Empatia

Diga algo gentil ao pai ou à criança. Comente sobre sua incrível paciência e gentileza para com a criança e como isso é encorajador. Ou relate como o seu próprio filho se comporta da mesma forma e mostre a eles que muitas pessoas “entendem” e não estão bravos, que não há porque ter pressa, para simplesmente levar o tempo necessário para resolver a situação. Empatize com a criança também, ajude o pai a lembrar como é ser criança dizendo algo ao pai ou à criança que indique que você entende suas emoções/sentimentos.

Distraia a Criança

Muitas pessoas carregam adesivos ou pequenos brinquedos que eles podem dar para crianças a fim de distraí-las e ajudar a desintensificar uma situação onde todos estão estressados.

Distraia o Adulto

Aproxime-se do adulto, desculpe-se pelo mau jeito, e puxe assunto sobre algo que não esteja relacionado a situação no momento.

Ofereça Informação

Diga algo positivo/gentil ao pai e então convide-o para seu grupo de apoio local sobre criação de filhos. Diga-lhes sobre uma técnica inovadora que você usou em situações parecidas. Ou ofereça sua empatia na forma de comentários como: “Uau, esta loja realmente deveria ter ar-condicionado, quando meus filhos ficam com calor, eles sempre ficam um pouco irritados.” Isso ajuda os pais a lembrar que talvez eles mesmos estejam “quentes” e precisem esfriar sem dizer-lhes exatamente o que fazer.

Chame outra pessoa: se você não souber como agir, ou estiver muito irritado(a) para responder positivamente, considere pedir ajuda. Talvez um amigo possa ajudá-lo a pensar uma forma de intervenção ou talvez você conheça algum funcionário que seja mais amigável.

Cuidado-Próprio

Para a criança: é importante saber se seu filho presenciou algo que seja emocionalmente pesado para ele. Eles podem ficar imóveis e quietos, visivelmente alterados, ou imitar o que eles testemunharam mais tarde. Saiba que brincadeiras são a forma que crianças mostram aquilo que não entendem e ganham controle de situações sobre as quais eles não teriam controle. Ter a casa com limites seguros de modo que eles possam liberar todas as emoções que vivenciaram é benéfico a saúde emocional das crianças. Se você notar que seu filho está emocionalmente alterado após presenciar um incidente, uma das melhores atitudes a se tomar é garantir que sua segurança. Use o contato físico gentil e lento, redirecione sua atenção calma e silenciosamente para uma atividade calma que ele goste. Você pode conversar sobre o assunto depois, se necessário, mas a primeira coisa a se fazer é garantir a segurança de seu filho.

Para o Adulto: Após presenciar situações que são emocionalmente conturbadoras, é normal precisar de um pouco de cuidado próprio. Recomenda-se que se fale sobre o assunto ao invés de guardar para si. Coloque limites para si próprio e não permita que outras pessoas lhe digam para “deixar para lá” ou que “não foi nada demais”. Mesmo que você não se sinta capaz, saia de casa e esteja com pessoas que lhe amam e lhe apoiem. A comunidade APLC é comprometida a oferecer suporte e apoio em situações assim, procure comunidades e grupos de apoio em sua cidade.

Importante Lembrar

Não somos seres humanos perfeitos. Algumas vezes reagiremos com emoção ao invés da lógica. É normal ser movido emocionalmente quando se acredita que uma criança está sendo agredida de alguma forma. Ao mesmo tempo em que encorajamos a todos usar métodos de ajuda que sejam positivos ao invés de reações emocionais, todos temos momentos em que reagimos com a emoção, e isso é muito normal. Você está respondendo a uma criança com amor/preocupação, e ninguém tem que ser perfeito. É possível que sua reação seja justamente o que era necessário naquele momento.

 

Para mais informações: www.naturalchild.org/articles/child_advocacy.html

Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Sou pai do Dante, Gael e Maya, e crio conteúdos para ajudar famílias a criarem seus filhos com afeto, empatia e sem violência. Sou líder certificado de grupo de apoio pela Attachment Parenting International, e também educador parental certificado pela Positive Discipline Association.

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