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De Pai Para Pai: Respondendo com Sensibilidade

"Sensibilidade é a palavra de ouro na inclusão do pai na criação com apego. Responder com sensibilidade é estar atento às necessidades do filho e, princi..."
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Há algumas semanas atrás, eu comecei uma série de posts que cobrem a participação do pai na Criação com Apego. A série cobre os Oito Princípios da Criação com Apego, como propostos pela API (Attachment Parenting International), uma organização com a finalidade de educar pais e mães sobre a Criação com Apego ao redor do mundo. Até o momento, eu escrevi sobre os dois primeiros princípios:

Nesta semana, vou escrever sobre o terceiro princípio da Criação com Apego. Respondendo com Sensibilidade (link para a tradução do princípio) é, na verdade, o coração da criação com apego. Muito resumidamente, responder com sensibilidade é estar atento às necessidades do filho e, principalmente, acreditar no choro do bebê como uma forma de comunicação.

Para o pai, acho que essa é a palavra de ouro: sensibilidade. A maioria dos homens, assim como eu, foi criada seguindo os preceitos brucutus da vida. Homem não chora, homem joga bola, homem pode ficar com todas as mulheres, homem arrota, homem isso, homem aquilo. Homem pode tudo, menos ser sensível.

O problema é que esses homens, criados dessa maneira, apresentam uma dificuldade tremenda quando apresentados a uma situação que requer boas doses de sensibilidade. Como pode esse homem quebrar essa imagem de ciborgue machista e se deixar levar pela sensibilidade, para ser um marido e pai sensível? É muito difícil, sem dúvida, mas completamente possível. É necessário deixar-se levar, confiar na sua própria sensibilidade, tolida por tanto tempo. É necessário acreditar no afeto e no vínculo.

Eu comecei meu processo de sensibilização assim que conheci a Anne. Ela, mesmo sem saber, me ajudou muito a deixar minha sensibilidade falar e ser ouvida. Eu comecei a virar homem de verdade depois que a conheci.

Mas veja bem, você não vai deixar de ser homem porque você é sensível. Afinal, o que é ser homem? Eu mesmo não sei responder essa pergunta mas, de qualquer forma, é importante deixar bem claro que boa parte do sucesso da participação do pai na criação com apego de seus filhos se dá ao quanto esse pai se permite ser sensível. Isso acontece porque os bebês são seres extremamente sensíveis; que necessitam do pai e da mãe para atender não só a suas necessidades fisiológicas, mas, principalmente, emocionais.

É como uma relação de troca: o vínculo só consegue ser formado se as duas partes estiverem receptivas uma à outra. Essa receptividade também se chama sensibilidade.

O Choro

O choro de um bebê é a maneira mais intensa de comunicação dele. Há uma série de outros sinais que o bebê dá sobre as suas necessidades, antes mesmo de chorar: linguagem corporal, expressões faciais, ruídos ou resmungos que servem para indicar o que o bebê está precisando. Quando não atendido, o bebê chora.

Por isso que a sensibilidade é tão importante. Quando você é sensível ao bebê, é criada uma sintonia que permite que você entenda o que ele quer, antes mesmo do choro. Essa sintonia tende a ser muito forte entre mães e bebês, porque elas já possuem um vínculo mais aprofundado do que o pai, obviamente. Mas isso não significa que o pai não possa desenvolver essa sintonia. E mais importante ainda: isso não significa que o pai deva ignorar o choro do bebê.

Choros devem ser levados a sério por diversos motivos, mas um dos principais é que bebês submetidos a frequentes e prolongadas sessões de estresse provocadas pelo choro podem afetar o desenvolvimento neurológico de seus cérebros ainda imaturos. Acredite no choro do seu bebê.

Ajudando Filhos Durante as Emoções Fortes

À medida que o bebê vai amadurecendo, ele vai entrando em contato cada vez mais com as suas próprias emoções. Mas até que ele esteja mais velho, ele vai precisar muito da sua ajuda para controlar suas emoções, principalmente as negativas, como frustração e tristeza. Em muitos momentos, o seu filho terá crises emocionais fortes, conhecidas como explosões de raiva, ou tantrums (em inglês). Muitas pessoas denominam estes eventos como birra, mas eu particularmente não gosto desta palavra, porque ela tem um potencial muito grande de limitar o entendimento da situação com um todo, colocando a criança como culpada do evento.

Estas explosões de raiva deixam os sentimentos de qualquer um à flor da pele e, dependendo da intensidade do evento, pode colocar à prova a paciência do pai e da mãe. É aqui que o pai pode fazer a diferença, ajudando todos a manterem a calma durante o evento, até que ele passe. Por outro lado, a mãe também pode assumir esse papel, sempre que o pai estiver quase perdendo o controle.

Novamente, sensibilidade é a resposta. O pai, sempre visto como a figura truculenta, autoritária e impaciente, pode desenvolver sua sensibilidade a ponto de entender e respeitar a explosão de raiva da criança. Não se trata de brigar, muito menos ignorar, mas respeitar. Você, como pai, deve saber que seu filho passa por momentos muito delicados e que não tem maturidade emocional para lidar com sentimentos negativos. Pai e mãe, juntos, devem sempre oferecer o suporte emocional que seus filhos necessitam.

Lembre-se: quando o seu filho estiver tendo uma crise, não tenha outra junto com ele.

Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Sou pai do Dante, Gael e Maya, e crio conteúdos para ajudar famílias a criarem seus filhos com afeto, empatia e sem violência. Sou líder certificado de grupo de apoio pela Attachment Parenting International, e também educador parental certificado pela Positive Discipline Association.

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