(traduzido e adaptado por Thiago Queiroz, da versão inglesa, link original)

29 de Julho de 2013 – A amamentação prolongada é associada com uma melhor receptividade linguística aos 3 anos de idade, e uma inteligência verbal e não verbal aos 7 anos, de acordo com um estudo publicado pela JAMA Pediatrics, uma publicação da JAMA Network.

A evidência sustenta a relação entre a amamentação e benefícios na saúde na infância, mas a extensão à qual a amamentação leva a um melhor desenvolvimento cognitivo é mais incerto, de acordo com o cenário do estudo.

Mandy B. Belfort, M.D., M.P.H., do hospital Boston Children, e seus colegas examinaram as relações entre a duração e exclusividade da amamentação com a cognição de crianças de 3 e 7 anos. Eles também estudaram a extensão à qual ingestão de peixe pela mãe durante a lactação afetava associações de alimentação infantil e cognição mais tarde. Os pesquisadores utilizaram testes de avaliação para medir a cognição.

“A amamentação prolongada foi associada a uma pontuação mais alta no Teste de Vocabulário por Imagens Peabody aos 3 anos de idade (0,21; 95% CI, 0,03-0,38 pontos por mês de amamentação) e inteligência superior no Kaufman Brief Intelligence Test aos 7 anos (0,35; 0,16-0,53 pontos verbais por mês amamentado; e 0,29; 0,05-0,54 pontos não verbais por mês amamentado),” de acordo com os resultados do estudo. No entanto, o estudo também observou que a duração da amamentação não estava associada com a pontuação de Wide Range Assessment of Memory and Learning.

Com relação à ingestão de peixes (menos de 2 porções por semana em comparação quantidades iguais ou superiores a 2 porções), a relação entre a duração da amamentação e as Wide Range Assessment of Visual Motor Abilities aos 3 anos de idade pareceu mais forte em filhos de mulheres com maior consumo de peixe, mesmo que esta descoberta não seja estatisticamente significante, como os resultados também indicam.

“Em resumo, nossos resultados suportam uma relação casual da amamentação na infância com a linguagem receptiva aos 3 anos, e com QI verbal e não verbal nas idades escolares. Estes resultados suportam as recomendações nacionais e internacionais de promover a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade, e continuação da amamentação até pelo menos o primeiro ano de vida,” os autores concluem.

Amamentação e Cognição: O QI Pode Afetar os Resultados?

Em um editorial, Dimitri A. Christakis, M.D., M.P.H., do Seattle Children’s Hospital Research Institute, escreve: “Os autores relataram um benefício no QI aos 7 anos de idade pela amamentação em 0,35 pontos por mês na escala verbal e 0,29 por mês na escala não verbal. Dito de outra forma, amamentar um bebê pelo primeiro ano de vida geraria a expectativa de aumentar o QI dele ou dela em mais ou menos quatro pontos, ou um terço do desvio padrão.”

“No entanto, o problema atualmente não é que as mulheres não iniciam a amamentação, e sim que elas não conseguem sustentá-la. Nos Estados Unidos da América, cerca de 70% das mulheres em geral iniciam a amamentação, embora apenas 50% das mulheres afro-americanas o fazem. Contudo, aos seis meses, apenas 35% e 20%, respectivamente, continuam amamentando,” Christakis continua.

“Além disso, os locais de trabalho precisam prover oportunidades e espaços para as mulheres utilizarem. Em quarto lugar, o paradigma da amamentação em público deve ser quebrado. Campanhas inteligentes na mídia e anúncios de alta qualidade de serviços públicos podem ajudar nisso. Como orientação, algumas dessas ações podem requerer ações legislativas seja em um nível federal ou estadual. Vamos permitir que as funções cognitivas de nossos filhos sejam a força que afeta os resultados, e vamos continuar com isso,” Christakis conclui.