Elogiar é uma prática muito positiva, e eu penso que todo mundo concorda com isso hoje em dia. Eu sei, existem algumas pessoas que ainda nutrem o pensamento pré-histórico de que não devemos elogiar nada, nem ninguém, alegando que os outros “não fazem mais do que a obrigação”.

Deixando esse extremo de lado, sabemos que elogios são sempre bem-vindos. Mas será mesmo? Será que todo elogio é realmente eficiente e positivo? Na verdade, existe um extremo oposto, que é o elogio exagerado. E, normalmente, os elogios exagerados são bem vazios.

O que são esses elogios exagerados? São aqueles elogios em que nós, pais, fazemos uma festa forçada e gigante, de uma maneira que não condiz exatamente com o que a criança fez. Por exemplo, se o seu filho faz um desenho e, ao ver o desenho, você grita, bate palmas, dá cambalhota, solta fogos de artifício e fala que ele é o melhor desenhista do mundo inteiro, então, talvez, você esteja exagerando um pouco nos elogios.

Se você já recebeu esse tipo de elogio quando criança, então você deve saber que isso não ajuda muito ao longo do tempo. Cada vez mais, você esperava pela aprovação externa, como se apenas isso importasse na vida e, em algum momento, você acabava percebendo que aquela “festa” toda era exagerada, e que qualquer coisa que você fizesse seria “absolutamente perfeita” para os seus pais.

Isso significa que não podemos elogiar mais os nossos filhos? Quer dizer que agora até isso é proibido? Claro que não! Podemos elogiar os nosso filhos, mas existem alguns pontos que nos ajudam a sermos mais eficientes nos elogios, buscando construir a auto-estima deles.

Por isso, venho aqui compartilhar com você as cinco ideias para se ter em mente quando você elogiar o seu filho.

1. Faça o elogio ser sobre o seu filho, não sobre você

Quando elogiamos os nossos filhos, tendemos a falar como nos sentimos em relação ao que eles fizeram. Normalmente, dizemos coisas assim:

— Nossa, filho, estou muito orgulhoso de você!

— Uau, filha, você fez aquilo e me fez muito feliz!

Qual o problema disso? O problema é que estamos ajudando a criar filhos que serão viciados em aprovação externa. Se todos os elogios que fizermos aos nossos filhos são centrados em como nos sentimos, então nossos filhos tenderão a buscar essas aprovações em nós, e não em suas próprias ações.

Ao invés de falarmos sobre o quão orgulhosos ou felizes estamos, podemos perguntar aos nossos filhos como eles se sentem em relação ao que fizeram:

— Ah, filho, e como você se sentiu? Você ficou feliz por ter feito aquilo?

— Nossa, filha, você deve estar orgulhosa por ter conseguido aquela coisa, né?

Percebe a diferença? Dessa maneira, nós colocamos os nossos filhos no centro do elogio.

2. Evite elogios vazios

Você já deve ter ouvido elogios assim, quando você era criança:

— Bom trabalho!

— Boa garota!

Mas agora que somos adultos, podemos nos perguntar: o que esses elogios querem dizer? Isso mesmo, nada. Esses elogios não dizem absolutamente nada. Também sabemos que, normalmente, esses elogios são feitos por quem não está prestando muita atenção no que a criança está fazendo, e então o “bom trabalho” acaba saindo em forma de “tapinha nas costas” da criança.

Com o tempo, a criança percebe que esses elogios são vazios e pode, inclusive, desistir de mostrar seus feitos e conquistas. Afinal, de contas, para que mostrar o que você fez se quem deveria estar prestando atenção em você está mais preocupado com qualquer outra coisa?

3. Faça elogios descritivos

Essa é a regra de ouro para os elogios eficientes! Quando fazemos elogios descritivos, damos a oportunidade para os nossos filhos sentirem orgulho deles próprios, porque mostramos a eles, com um olhar externo, o que eles fizeram.

Então, numa tacada só, fazemos duas coisas:

  • mostramos aos nossos filhos que estamos interessados e percebemos o que eles estão fazendo, e
  • descrevemos o que eles fizeram, para que eles realmente percebam tudo aquilo que eles conseguiram fazer.

Por exemplo, ao invés de dizer um “belo desenho” para o seu filho, você pode tentar descrever o desenho que ele fez:

— Caramba, filho, você fez esse desenho? Vi que você pintou essa parte de vermelho, e também desenhou essa bola aqui redondinha! Ah, e tem essa moça que você desenhou aqui, tem os braços dela, até os dedos você conseguiu desenhar!

Ouvindo alguém descrever aquilo que você fez, é bem mais fácil sentir orgulho de si próprio.

4. Seja genuíno na sua reação

No começo do texto, eu mostrei o que seriam os elogios exagerados, e como eles podem ser ineficientes para os nossos filhos. Precisamos mesmo evitar esse tipo de reação, mas isso também não significa que precisamos ter reações extremamente controladas, como se fôssemos robôs. Não precisamos falar de maneira seca, como:

— Filho. Você. Desenhou. Essa. Bola. Vermelha. Como. Se. Sente?

Mas se esse também não é o caminho, qual seria a melhor reação? O ideal seria que você fosse honesto com o seu filho, no sentido de reagir de maneira condizente com o que você está realmente sentindo.

Se você ficou mesmo surpreso com aquilo que o seu filho lhe apresentou, então não há nenhum mal em se empolgar na reação:

— Uau, filho!

— Caramba, filha, você fez isso?!

O ponto de equilíbrio é esse: estar consciente do que você sente e ser honesto ao demonstrar isso ao seu filho.

5. Evite usar rótulos nos elogios

Você já deve saber que rótulos são aprisionantes, né? Mesmo os rótulos que são aparentemente positivos podem aprisionar, então, precisamos evitar os elogios baseados em rótulos:

— Eita, filha, como você é inteligente!

Quando rotulamos nos elogios, podemos passar a mensagem de que os nossos filhos são aceitos apenas quando conseguem entrar naquela caixinha em que os colocamos. E isso pode gerar pressões muito grandes para os nossos filhos, ao longo da vida.

Imagine que o seu filho acertou o ditado na escola, e você gasta alguns minutos falando sobre como ele é inteligente, ou como ele é esperto e sempre tira dez nas tarefas da escola. A tendência é que essa criança, agora, sinta uma pressão para sempre acertar nos seus afazeres escolares, para continuar atingindo a expectativa de ser o “filho inteligente”.

Portanto, ao invés de simplesmente rotular os nossos filhos, podemos utilizar todas as alternativas anteriores desse texto: podemos perguntar a ele como ele se sente por ter feito aquilo, podemos focar no esforço que ele teve para atingir aquele objetivo, e podemos também perguntar a eles sobre quais as partes foram mais difíceis para ele naquela tarefa.

Ampliando o diálogo dessa maneira com certeza permitirá que os nossos filhos sintam orgulho deles mesmos e, de quebra, ainda nos ajudará a fortalecer nossos vínculos com os nossos filhos.