Filhos Adolescentes: Equilibrando Rebeldia e Individualidade

"Entender melhor sobre a disciplina positiva pode nos ajudar a lidar com os desafios de criar um filho adolescente com muito respeito e empatia. Saiba como!"
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Estou lendo um livro a conta gotas. Já tem meses que estou lendo. E ele precisa ser lido devagar, porque cada capítulo é um soco no estômago para mim. O livro se chama “Positive Discipline for Teenagers” (Disciplina Positiva para Adolescentes), da Jane Nelsen. Eu busquei esse livro pra saber lidar melhor com o meu filho na fase que está por vir, mas aprendo muito mais sobre mim mesma, sobre a adolescente que eu fui e sobre quem eu sou.

O que você pensa quando perguntam pra você o que é adolescência? Drama pra todo lado, rebeldia, não querem nada com nada, desrespeitam os pais, drogas, etc? Aliás, até hoje eu escuto o termo “aborrecência”. Você já ouviu?

Eu precisava de um norte com a adolescência do meu filho batendo à porta. Eu não tenho modelo pra me guiar. Na minha adolescência meus pais se separaram e eu estava no meio do furacão. Me sentia deprimida, achava que ninguém gostava de mim, sofria bullying na escola, namorava um carinha controlador, vida sexual começando, tinha que escolher que faculdade ia querer fazer, era chamada de galinha, de ladra de namorado da amiga, separação dos pais, divisão de bens absurdamente estressante, hormônios enlouquecidos, amor próprio zero, auto-conhecimento menos ainda. Todas essas loucuras da adolescência, que para adultos são bobagens, mas pra um adolescente é a VIDA.

E eu não tinha um colo pra chorar as pitangas, não porque meus pais não estivessem ali, mas porque eu, mesmo adolescente, entendia que eles estavam passando por problemas MUITO maiores do que os meus. O tempo passou, não usei drogas, não pintei o cabelo de roxo, não fiz tatuagem ou piercing, não engravidei e nem larguei a escola. Sempre fui mais responsável do que o esperado pra idade.

No livro que estou lendo eu aprendi que inconscientemente meus pais roubaram meu processo de individuação, que muita gente acha que é rebeldia.

Rebeldia, de acordo com o dicionário online michaelis é “ato de lutar contra alguém ou alguma coisa, usando força ou argumento; oposição, resistência”, também “comportamento que se caracteriza pela desobediência”. O que a gente sempre escutou e entendeu que era rebeldia era na verdade, o processo (ou parte dele) de individuação na adolescência.

Não vou entrar no assunto da palavra obediência hoje, mas queria falar um pouquinho mais sobre esse processo de individuação. A adolescência é a fase de transição entre a vida de criança e a vida adulta. De uma hora pra outra, os hormônios resolvem embarcar numa montanha russa e isso traz um monte de mudanças que nos deixam de cabelo em pé. Sim, nós adultos ficamos de cabelo em pé. Mas e os adolescentes?

Bom, eles estão descobrindo quem são, quem eles serão como adultos. As brincadeiras de criança já não interessam tanto. Aquele aconchego de mãe parece que ganhou espinhos desde a primeira vez que ela disse no automático para o filho(a) parar de fazer drama ou que deixou sem computador porque ele não conseguiu controlar um impulso e acabou respondendo como não deveria a uma situação qualquer. (Abre uma nova aba no navegador e espia esse texto depois de terminar esse aqui).

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Ok. Eles estão descobrindo quem serão. Entendido. Mas como eles fazem isso? O jeito mais natural de fazer isso, é tentar ser o extremo oposto do que os pais são. Quando eram crianças, eles se espelhavam nos pais. Era como eles sabiam ser, era o único parâmetro. Como adolescentes, eles têm uma única certeza: eles não querem ser como os pais.

Eles precisam experimentar papéis. Eles vão experimentar tipos de músicas diferentes, tipos de roupas diferentes, experimentar atividades e até comportamentos diferentes. E tá tudo bem! E vai ser difícil pra nós, pais, vermos nossos filhos indo descabelados e de roupa rasgada pra escola. Vai doer nossos ouvidos quando eles estiverem ouvindo aquele punk no último volume. Mas eles precisam descobrir quem eles são além de nós. Faz parte do processo. Não podemos levar pro lado pessoal, eles não nos odeiam. Não estão fazendo para nos afrontar.

Com o passar do tempo, se eles tiverem liberdade para se expressar e passarem pelo processo de individuação com a empatia e acolhimento dos pais, eles vão descobrir quais pedaços de tudo que eles experimentaram funciona pra eles. Nosso papel como pais é guiar e não controlar. Eles são pessoas diferentes da gente. E eles precisam de acolhimento e não de julgamento e punições. Já é difícil o suficiente pra eles, eles definitivamente não precisam de alguém criticando tudo que eles estão tentando fazer (Claro, dentro dos limites de segurança, né?).

Se não passarem por esse processo na adolescência, irão passar aos 20, aos 30, aos 50, aos 70, que seja. Eu passei perto dos 30 e ainda estou no processo. Meu objetivo é facilitar essa fase pros meus filhos. Se vou conseguir? Não faço a menor idéia.

Quantos adolescentes “rebeldes” você conheceu que continuaram “rebeldes” depois de adultos? Aposto que nenhum. Você consegue lembrar como foi a sua adolescência? Como foi seu processo de individuação? Você lembra se teve um ambiente seguro para buscar quem você é? Você tem ideia de como ajudar seu filho a passar por esse processo de forma tranquila?

Claro que essa é só uma pecinha dessa loucura que é a adolescência e que eu também não tenho muita idéia de como vai ser. Mas entender que todo mundo precisa passar por isso, que é natural, que não sou eu que estou fazendo algo errado e que vai passar, me trouxe uma certa calma.

Meu filho só tem onze anos, eu já percebo ele experimentando alguns papéis, mas eu ainda não consigo imaginar quais serão os pontos que ele vai fazer questão de fazer exatamente o oposto do que acreditamos em casa só pra SE testar, mas quando essa hora chegar, eu espero lembrar de mim mesma falando que faz parte do processo. E que eu consiga respirar e não pirar.

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