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5- Garantindo um Sono Seguro, Física e Emocionalmente – Princípios da Criação com Apego

"A criação com apego tem como essência uma retomada à criação baseada por instinto, que já era praticada por nossos ancestrais. Esse estilo de criação visa estabelecer vínculos saudáveis entre os pais e seus filhos, que perduram pela vida inteira."

(traduzido e adaptado por Thiago Queiroz, da versão inglesa, link original)

As páginas seguintes contêm uma versão condensada dos Oito Princípios. Se você possuir dúvidas sobre estes Princípios, ou sobre como aplicá-los na sua família, por favor, entre em contato com um Líder API próximo a você, ou poste suas dúvidas e comentários no fórum da API.

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“O seu bebê já está dormindo a noite toda?” é frequentemente a primeira pergunta que as pessoas fazem para novos pais. A verdade é que a maioria dos bebês não dorme a noite toda, e ainda assim isto é um mito perpetuado de geração a geração. Os bebês possuem necessidades à noite tanto quanto de dia; seja de fome, solidão, medo, frio ou calor. Eles precisam da garantia de pais amáveis para sentir-se seguros durante a noite. Muitos bebês realmente passam por uma fase onde dormem por longos períodos de tempo, apenas para começar a acordar de noite durante diferentes estágios de desenvolvimento. Eles podem acordar ocasionalmente devido a pesadelos, dentição, doença, saltos de crescimento, ou durante períodos de transição em suas vidas. Os bebês são bastante sensíveis ao stress de seus pais, o que também pode afetar seus padrões de sono.

Os pais podem ajudar seus filhos a aprender que a hora de dormir ou da soneca é uma hora de paz; uma hora de conexão, aconchego e calma. Mesmo que um filho mais novo possa crescer precisando se alimentar durante a noite, eles podem ainda precisar de conforto e segurança.

Pais que ficam frustrados por acordar frequentemente, ou que sofrem privação de sono podem ficar tentados a lançar mão de técnicas que recomendam deixar o bebê chorar, numa tentativa de “ensiná-lo” a “acalmar a si próprio”, Novas pesquisas sugerem que estas técnicas podem apresentar efeitos psicológicos prejudiciais no bebê, aumentando os níveis do hormônio do stress cortisol no cérebro, com potenciais efeitos em longo prazo na regulação emocional, padrões de sono e comportamento. Um bebê não é capaz neurologicamente ou tem desenvolvimento suficiente para se acalmar até dormir, de uma maneira saudável. A parte do cérebro que ajuda a criança a se acalmar não é suficientemente desenvolvida até que a criança tenha entre dois anos e meio, e três anos de idade. Até então, uma criança depende dos seus pais para ajudá-lo a se acalmar e para aprender a regular seus sentimentos intensos.

O Caso Contra o Sono Solitário

É importante realçar que deixar um bebê dormir sozinho é uma prática relativamente nova, que “evoluiu” no mundo ocidental nos últimos 100 anos. Recentemente, vem-se empregando esforços por várias organizações médicas e profissionais para desencorajar os pais de dormir com seus filhos, por medo de que isto contribua para o aumento na Síndrome de Morte Súbita Infantil (SMSI). Entretanto, novas pesquisas demonstram que a cama compartilhada, quando praticada por pais informados, pode ser segura e benéfica. Na verdade, muitas culturas onde os pais dormem com seus filhos reportam os menores índices de SMSI. Em algumas dessas culturas, a SMSI é até inexistente.

A API encoraja os pais a responder às necessidades de seus filhos à noite, da mesma maneira que durante o dia. Os pais também são encorajados a explorar uma variedade de diferentes arranjos de sono, e escolher a melhor alternativa que permita que eles consigam responder melhor à noite. Os padrões de sono e necessidades individuais de bebês variam bastante. Seja flexível e entenda que é adequado para o desenvolvimento, e normal para os bebês acordar à noite para se alimentarem e buscar contato.

O Que é Cama Compartilhada (Co-Sleeping)?

Muitos termos relacionado ao sono dos bebês são usados de modo intercambiável, o que pode causar confusão. A API usa as seguintes definições:

  • Co-sleeping refere-se a dormir a uma “distância próxima”, o que significa que o filho está dormindo em uma superfície diferente, mas no mesmo quarto dos pais. Isto inclui o uso de berços de vime, moisés, ou berço-cama (um berço com apenas três paredes, anexado à cama dos pais, onde a quarta parede não existe, permitindo acesso livre dos pais diretamente da cama). Para filhos mais velhos, isto pode ser dormir em uma cama separada no mesmo quarto dos pais, ou dois ou mais irmãos mais velhos dormindo juntos em um quarto separado dos pais.
  • Cama Compartilhada, também chamada de “cama familiar”, descreve um arranjo de sono onde os membros da família dormem na mesma superfície. Esta prática é recomendada apenas para famílias que amamentam usando as Diretrizes de Sono Seguro da API.

Rotinas Noturnas

  • Independente dos arranjos de sono, as rotinas noturnas frequentemente ajudam todos a se relaxar depois de um dia atribulado, e a estabelecer hábitos de sono mais saudáveis
  • Experimente encontrar a rotina que funciona melhor para o seu filho e lembre-se que qualquer rotina noturna pode levar 30 minutos, ou uma hora, ou mais
  • Tenha em mente que as rotinas de sono mudam ao longo do crescimento e amadurecimento do seu filho. Mantenha o senso de humor e seja flexível
  • Ajude o seu filho a aprender a confiar no seu próprio corpo quando ele estiver cansado, reconhecendo sinais de cansaço, e não forçando ele a dormir quando não estiver cansado, ou tentando mantê-lo acordado quando ele estiver cansado, só para cumprir a rotina
  • Quando a hora chegar do seu filho fazer a transição para sua própria cama, assegure que a transição seja gentil e que os pais respondam a quaisquer sentimentos de medo ou tristeza experimentados pela criança
  • As crianças mais jovens, que têm sua própria cama, tendem a dormir melhor quando os pais deitam com elas em suas camas até que elas fiquem bem sonolentas, ou até que elas durmam. As crianças crescem e dispensam esta necessidade quando estiverem prontas e irão alegremente dormir por conta própria
  • Crianças mais velhas podem ainda apreciar um breve aconchego com seus pais antes de irem para a cama
  • Nem a criação, nem a cama compartilhada precisam desencorajar a intimidade; com um pouco de criatividade, incluindo momento e local certo, o casal pode garantir que a intimidade não seja atrapalhada indevidamente por casa do novo bebê

Para maiores informações, por favor, visite a página sobre Sono Seguro Infantil da Attachment Parenting International.

Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Pai de quatro, escritor, educador parental, criador do site e canal no YouTube Paizinho Vírgula!, host dos podcasts Tricô de Pais e Vai Passar, autor dos livros "Abrace seu Filho" e "A Armadura de Bertô", e participou do documentário internacional "Dads".

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Comentários

20 comentários em “5- Garantindo um Sono Seguro, Física e Emocionalmente – Princípios da Criação com Apego”

  1. Oi, Jordana!

    Realmente, é difícil também esse processo para nós, adultos. Não é só a criança que faz a transição, mas os pais também.

    Acho que você pode tentar seguir o que o seu filho está sinalizando e, se ele preferir continuar na cama dele durante a madrugada, que ele fique lá. Mas sempre que ele quiser e precisar da cama da mãe, que ele sinta que as portas estão abertas.

  2. Oi Aline, puxa que difícil!

    Eu entendo parte da sua angústia, porque Dante também luta para dormir. O que eu percebi que melhorou também foi quando a gente parou de se estressar com a “tarefa” de botá-lo para dormir. Teve uma época que íamos todos para a cama dormir juntos e ficávamos por lá até ele dormir, ou nós também.

    Acho que quando a gente já começa a rotina do sono pensando que vai ser tenso, que vai ser um inferno, a experiência não tem como ser positiva para a criança, que também reage. Você já tentou ir para o quarto e ficar por lá, conversando, contando histórias, e tendo um momento gostoso com ela? Pode ajudar…

    E o pai? Ele não pode assumir essa tarefa? Ele não pode levá-la para dar uma volta na rua? Foi assim que eu consegui colocar o Dante para dormir!

    1. Obrigada Thiago! Sempre me ajudando 😉 adorei a leitura! Eh bom saber sobre as fases para noa prepararmos para atende-los melhor!!!mais uma vez obrigada!!

  3. Oi, Ana! Que bom que o texto trouxe um pouco de paz no seu coração… É esquisito como nós ficamos condicionados a certas condições, como o de que “tem que dormir sozinho desde pequeno”, a ponto de nos sentirmos mal quando apenas desejamos seguir nossa intuição, né? Um abraço!

  4. Ana Cristina

    Acabei de conhecer o seu blog e confesso que chorei lendo esse artigo. Tenho uma filha de 4 anos e um menininho de 1 ano e 2 meses que me dá muito trabalho à noite. Há dois meses resolvemos fazer cama compartilhada com ele e confesso que o sono dele melhorou muito. Ele dorme no bercinho dele e acorda umas duas vezes. Na terceira vez, lá pela 1 da manhã, eu o levo para minha cama. Ele já chega de olho fechado, coloca as mãozinhas em mim e os pés no meu marido e dorme gostoso, direto, até umas 6/7 da manhã. Eu estava me sentindo tão culpada de levá-lo para minha cama. Mas lendo isso, vejo que não estou fazendo nada “tão errado” assim.

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