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Crying Babies

A Netflix, o Pocoyo e a Empatia

"A crianças têm uma capacidade incrível de empatizar com todos ao seu redor. E quando eles empatizam com os personagens do desenho animado?"

Num fim de semana desses, estávamos nos preparando para dar um passeio e, como todos que tem filhos pequenos sabem muito bem, esse preparo é sempre uma tarefa árdua. Com uma espoletinha de 1 ano e meio nem se fala. Aqui em casa é comum nos dividirmos para resolver essas coisas, enquanto um arruma uma parte o outro distrai a pequenina ou colocamos ela para assistir a algum desenho enquanto os dois arrumam as coisas. Sendo assim, ligamos a televisão e colocamos aquela que é uma das maravilhas do mundo moderno: a Netflix.

Ahh, a Netflix! Esse pedacinho de tecnologia capaz de acabar com a produtividade das pessoas mais disciplinadas. Em meio às toneladas de filmes e séries se esconde um verdadeiro oásis de desenhos infantis maravilhosos! O favorito da pequenina sem dúvidas é o Pocoyo (ou o “Popo”, como ela fala), aquele menininho de chapéu azul que vive aprontando junto com seus amigos num mundo de fundo branco. Ela adora! Dá gargalhadas maravilhosas assistindo. É lindo! Confesso que eu também adoro esse desenho.

Então, a deixamos assistindo o desenho, enquanto minha esposa terminava de arrumar a bolsa eu fui preparar o lanchinho para levar. E lá estou eu fazendo uma papa de mamão com pera para levar, quando começo a ouvir uma voz chorosa chamando “Loula, Loula!” (a Loula é a cachorrinha do Pocoyo). Então, penso com meus botões – Parece que ela está chorando. Será que ela se machucou? – e lá vou eu ver o que aconteceu.

Chego na porta do quarto e me deparo com uma cena inusitada. A pequena está sentada vendo o desenho e chorando compulsivamente, com desespero no rosto e lágrimas pingando no chão olhando para televisão e chamando pela Loula. Eis que olho para o desenho e vejo o que está acontecendo. O episódio que ela estava assistindo, fiz questão de procurar, se chama “Um por Todos” (S02E03 – All for One), aquele em que todos os amigos dele estão voando de alguma forma menos o Pocoyo. Você sabe qual é! Claro que sabe. Se não souber, termina de ler o texto e corre para assistir! Era uma das cenas finais onde o Pocoyo está caminhando todo cabisbaixo, triste e sem vontade de cantar uma bela canção, pois ele é o único que não consegue voar e está sozinho sem os amigos.

– Pera aí. Ela está chorando por causa do Pocoyo??? Um desenho que ela já assistiu umas 500 vezes????? Ela está mesmo se conectando com o sofrimento do personagem e compartilhando a tristeza do “Popo”??????? – Isso tudo passando na cabeça num instante.

Lá vou eu pegar ela no colo e sento na frente da televisão para conversar e acolher (tô aprendendo, viu, Paizinho) a pequena. Explicar que os amigos do Pocoyo já estavam vindo buscar ele para brincar (essa é a cena final do episódio), que ele estava triste mas bastava ter um pouco de paciência que eles já estavam chegando, que ele não ia ficar sozinho e que tudo ia ficar bem. Mas a pequena só parou de chorar quando começou o episódio seguinte e viu todo mundo junto, rindo e brincando. Aí parou imediatamente, voltou a sorrir e conseguimos terminar de arrumar as coisas para sair.

Fico impressionado com a capacidade que esses pequenos têm de perceber e se conectar com o mundo. Isso é empatia pura. Acho que estamos indo por um bom caminho!

Vitor Couto

Vitor Couto

Nerd de coração, mochilando na fantástica missão de criar uma pequenina. Toalha em punho encarando os desafios da paternidade. Uma fralda de cada vez.

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Comentários

5 comentários em “A Netflix, o Pocoyo e a Empatia”

  1. Minha filha de 3 anos acabou de ver esse episódio, e também caiu no choro. Acho que a música e a situação do personagem favorecem isso.
    Minha dúvida é se isso foi saudável pra ela ou prejudicial.

  2. Minha pequena também chora com os desenhos, normalmente porque aparece algum bicho mais feio que dá medo nela, mas às vezes também porque algum personagem está triste… E se ela vê alguém chorando então, nem se fala…
    Uma vez ela me viu chorando, eu estava de costas e de óculos escuros, me esforçando pra chorar sem fazer barulho, mas ela percebeu (talvez nem tenha visto as lágrimas, penso que talvez tenha só sentido a minha tristeza), veio me fazer carinho e falou “mamãe, não fica triste, vai passar…”

  3. Renato Costa

    Que legal essa experiência Vitor! A impressão que eu tenho é as crianças são empáticas por natureza (assim como criativas) e a sociedade vai desestimulando isso nelas, até sobrar pouco quando adultos. Outro dia meu filho de 1 ano estava brincado em um portão e caiu no chão de joelhos. Se levantou, nem deu bola e continuou brincando. Mas outra criança da mesma idade que viu a queda começou a chorar por pura empatia. Minha esposa levou meu filho pertinho dela para mostrar que não machucou e tudo mais. A criança parou de chorar, mas continuou a fazer umas caretas. Um abraço!

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