Estudo Sobre Mães em Países Subdesenvolvidos: Por Que Meu Bebê Está Hospitalizado?

"As mães em países de baixa renda podem não entender os motivos pelos quais seus bebês são hospitalizados após o nascimento, expondo os recém-nascidos doentes a maiores riscos de problemas de saúde e morte, após receberem alta do hospital, como mostra um novo estudo."
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(traduzido e adaptado por Thiago Queiroz, da versão inglesa, link original)

De Ann Arbor, Michigan — As mães em países de baixa renda podem não entender os motivos pelos quais seus bebês são hospitalizados após o nascimento, expondo os recém-nascidos doentes a maiores riscos de problemas de saúde e morte, após receberem alta do hospital, como mostra um novo estudo.

Quarenta por cento das mães que participaram em Gana com filhos doentes não tinham entendimento algum sobre por que seus filhos estavam no hospital, e outros 28 por cento tinham apenas um entendimento parcial, de acordo com o estudo da University of Michigan Health System, que foi publicado no Paediatrics and International Child Health Journal. Um terço das mulheres também reportou que se culpava pela doença dos filhos.

“Recém-nascidos doentes em países de baixa renda têm altos riscos de resultados adversos, em questão de saúde,” diz a autora principal Katherine J. Gold, M.D., M.S.W., M.S., professora assistente de medicina familiar, e de obstetrícia e ginecologia na University of Michigan Medical School.

“As mães que não possuem uma compreensão clara do porquê seus filhos estão no hospital podem ter dificuldade em comunicar as suas preferências sobre o cuidado, entendendo o tipo de cuidado necessário, e reconhecendo futuros sinais de doença. Esta falta de entendimento pode expor seus bebês a maiores riscos.”

A pesquisa mostra que pais em países de baixa renda frequentemente não conseguem reconhecer e procurar tratamento para os “sinais vermelhos” de doenças sérias em recém-nascidos, tais como má alimentação, desidratação, letargia e icterícia. Os pais que não entendem os problemas de saúde de seus filhos após o nascimento – que pode variar de baixo peso a uma infecção séria – podem ter uma dificuldade em especial para reconhecer os sintomas de que o bebê precisa de tratamento, uma vez que a família já está em casa.

Os autores apontam para fatores que podem contribuir para a lacuna na comunicação entre mães e médicos ou enfermeiras, incluindo grande volume de pacientes, pacientes muito doentes, e número inadequado de provedores de saúde treinados em hospitais, em países de baixa renda. A taxa de médico-por-paciente em Gana é de 1 para 10.000, enquanto que nos Estados Unidos da América, essa taxa é de 24 para 10.000.

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A carga de trabalho e severidade das doenças pode minimizar o tempo em que médicos e enfermeiras podem utilizar para comunicar e educar pais que têm seus filhos hospitalizados. Os pais podem não ter educação suficiente para saber o que perguntar e, em alguns países, podem sentir-se desconfortáveis para questionar diretamente os médicos.

“Tal situação é propícia a mal-entendidos e confusão, e pode impedir que os pais aprendam o que observar, quando seus bebês vão para casa,” diz Gold.

“Nós precisamos trabalhar mais para entender as barreiras na educação dos pais sobre a doença de seus bebês, para evitar problemas de saúde que possam ser prevenidos, e reduzir o risco de mortalidade neonatal.”


Autores adicionais: Tashya G. Jayasuriya, B.S.; Julia M. Silver e Cheryl A. Moyer, Ph.D., M.P.H., da University of Michigan. Kathryn Spangenberg, M.D., FGCP e Priscilla Wobil, MBChB, FWACP da Komfo Anokye Teaching Hospital, Kumasi, Gana.

Financiamento: programa University of Michigan GlobalREACH

Referência: “How well do mothers in Ghana understand why their newborn is hospitalized?,” Paediatrics and International Child Health, DOI 10.1179/2046905513Y.0000000063.

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Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Sou Thiago, marido e pai. Também sou outras coisas, mas praticante mesmo, só marido e pai. Meus filhos, Dante, Gael e Maya, nasceram em casa e, desde o nascimento do Dante, mergulhamos no ativismo pelo parto e pela criação com apego. Hoje, sou líder do grupo de apoio para criação com apego: API Rio, e também educador parental certificado para disciplina positiva.
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