Qual a Diferença Entre Mentira e Fantasia?

"Você sabe a diferença de uma criança que fantasia e uma que conta mentira? Até que ponto temos o direito de acabar com uma fantasia em nome da razão?"
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Qual a diferença entre mentira e fantasia?

Todas as crianças — especialmente as pequenas, como o Gael — adoram fantasiar. Em suas cabeças extremamente criativas, eles dobram o tempo, desafiam a física e provocam a razão pela simples necessidade de contar suas próprias narrativas.

Isso, por si só, já seria lindo se não ferisse algo extremamente importante e — eu diria — frágil: a racionalidade dos adultos.

O nosso pensamento analítico, por muitas vezes, nos impede de entrar no mundo maravilhoso dos nossos filhos, porque sempre estamos preocupados em “corrigir” ou “ensinar” aos nossos filhos em tudo aquilo que não parece coerente em suas histórias.

Isso acontece tanto que é comum eu receber mensagens e pedidos de ajuda de pais e mães que acham que os seus filhos estão mentindo compulsivamente. É uma preocupação genuína, claro, afinal, ninguém quer que o seu filho se torne um mitomaníaco.

Mas calma, crianças pequenas precisam muito dessa liberdade para contar suas histórias, mesmo que não tenha o menor fundamento no mundo real. É assim que eles começam a entender o conceito do mundo e da construção de narrativas. Esse momento, para nós, deveria ser um momento muito mais de apreciação do que correção.

Outro dia mesmo, o Gael chegou para mim e disse:

— Pai, você sabia que o pterodáctilo tem crinas que ajudam ele a se defender dos inimigos?

— Caramba, filho, eu não sabia! É mesmo?

— Sim, é uma crina bem dura!

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— Mas, filho, como você sabe disso? Você deve ter estudado muito, porque você adora dinossauros, né? Você sempre está vendo livros de dinossauros!

— Não, pai. Eu não estudei nada.

— Ah, é? Então como?

— Ué, eu nasci no mundo dos dinossauros. Quando eu era bebê, eu estava junto com os dinossauros e vi isso.

Juro para você, eu me segurei para argumentar sobre extinção dos dinossauros e a impossibilidade de viajar-se no tempo. Mas eu me contive a dizer:

— Uau, filho, deve ter sido muito incrível viver na época dos dinossauros!

— Era sim, pai. Mas era muito perigoso também!

E sorriu.

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Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Sou Thiago, marido e pai. Também sou outras coisas, mas praticante mesmo, só marido e pai. Meus filhos, Dante, Gael e Maya, nasceram em casa e, desde o nascimento do Dante, mergulhamos no ativismo pelo parto e pela criação com apego. Hoje, sou líder do grupo de apoio para criação com apego: API Rio, e também educador parental certificado para disciplina positiva.
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