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Quando o Irmãozinho Chega e a Culpa Triplica

"Muitas pessoas vêm falar comigo sobre a chegada de um irmãozinho, com grande preocupação porque as coisas não são exatamente tão lindas como falam por aí."
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Muitas pessoas vêm falar comigo sobre a chegada de um irmãozinho, com uma preocupação muito grande porque as coisas não são exatamente tão lindas como falam por aí. Claro, precisamos sempre falar sobre os pontos positivos de ter mais de um filho, sobre como a relação de irmãos é, inquestionavelmente, algo muito especial e único.

Por outro lado, precisamos ter um compromisso de falar sobre a realidade e os desafios que ela traz consigo. Não é simples ter mais de um filho. Nunca será. Eu, que tenho três filhos, sei muito bem disso, mas também sei que no início, quando o meu segundo filho nasceu, tem todo um universo de situações complexas que nós nunca pensamos sobre.

E uma dessas situações começa ali, pertinho do nascimento do irmão mais novo, como aconteceu com uma mãe veio me pedir ajuda recentemente. Ela dizia que não sabia lidar com o fato de ter um bebê que só fica no colo e poucas vezes, durante o dia, fica em outros lugares. Até aí, tudo bem, nós esperamos que seja assim mesmo, afinal, bebês pequenos precisam mesmo de colo para se sentir seguros no mundo.

É cansativo? Sim, mas é o tipo de situação que pode ser conduzida sem grandes problemas, ainda mais se você usar um sling com o seu bebê para aliviar os braços e continuar dando colo.

Mas e quando tem um irmão mais velho na jogada? Aí, sim, subimos muitos níveis de dificuldade. Essa mãe, assim como eu e todo mundo que tem mais de um filho, desabafou que ela acha que seu filho mais velho não aguenta mais ver a mãe com o bebê no colo.

E a dura realidade é que não precisa achar muito não, porque é exatamente assim que as crianças se sentem: não aguentam mais ver um bebê acoplado na mãe o dia inteiro. Essa criança, inclusive, pode ficar mais demandante e agressiva. E, por nos sentirmos impotentes e incapazes, não sabemos o que fazer além de sentir culpa.

Culpa é o tipo de sentimento que não ajuda muito, porque ela só nos paralisa. Precisamos entender esse processo como um todo e reconhecer que sim, a dinâmica dessa família está mudando. A vida dessa criança mais velha está mudando completamente.

E mudar dói.

O que fazer, então? Bem, o primeiro passo é entender que esse é um processo normal mesmo, e que vai ser difícil de qualquer maneira. Mas, além de tudo, converse com o seu filho, ajude-o a entender o que está acontecendo na família e dentro dele. Ajude-o a nomear o que ele está sentido e, principalmente, acolha os sentimentos do irmão mais velho, mesmo que sejam sentimentos “negativos” como raiva, tristeza ou indiferença.

Fora isso, sempre que o bebê der um cochilo mais longo, aproveite para fazer um tempinho especial com o irmão mais velho. Sente com ele, e foque em algo que ele goste muito de fazer, como pintar ou ler um livro. Faça desse tempo um momento de reconexão especial sem distrações.

E olha, vai passar, tá?

Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Pai de quatro, escritor, educador parental, criador do site e canal no YouTube Paizinho Vírgula!, host dos podcasts Tricô de Pais e Vai Passar, autor dos livros "Abrace seu Filho" e "A Armadura de Bertô", e participou do documentário internacional "Dads".

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Comentários

5 comentários em “Quando o Irmãozinho Chega e a Culpa Triplica”

  1. Thiago… Mais uma vez, que texto esclarecedor. Tenho uma 2a2m e uma recém-nascida de 5 dias. Minha mais velha ainda amamenta e minha esposa esta amamentando em tandem. É nítida a mudança de comportamento e a desconfiança da maior, principalmente quando ela vê que a caçula está mamando e ela, não. Tento conversar com ela, chamar para interação com a menor para ver se conseguimos menos acesso de raiva e que a rotina se torne algo mais leve. Sabemos que não é fácil, principalmente, porque não temos rede de apoio. Então, vamos pra luta!!! Grande abraço.

  2. Ana Luiza F Taves

    É assim mesmo. Aqui tem dias que quase enlouqueço. O mais novo com 1a4m e o mais velho com 3a3m… chego a delimitar espaços para que ambos possamos respirar. Uma parte do trabalho é prever problemas. As vezes eh o dia inteiro de o mais velho acertando o mais novo. E eu, que o amo tanto, acabo sendo hostil a ele, pq pra mim mesma fica muito dificil. E prever problemas tb acaba minando tentativas positivas. Nunca se sabe quando o beijinho vira mordida, quando um dar as mãos vira uma puxada que derruba. E por aí vai. O mantra do vai passar me acompanha, mas tenho medo de estar errando nesse direcionamento e tb de isso durar pra sempre como ja vi em outras famílias.
    De todo modo, grata pelas suas contribuições.

    1. José Ribeiro

      Super me vi no seu comentário, tenho aqui duas uma de 1e9 e outra de 4 anos.
      Tbm tenho muito medo de estar errando e direcionando para um distanciamento familiar entre as duas e/ou entre eu e a mais velha.

  3. Thiago, muito obrigado pelos teus textos e tuas reflexões, que compartilhas aqui conosco. Conheci o site hoje (de madrugada, óbvio, afinal sou pai de três meninas) e me identifiquei com muitas situações. Quanto a esta da culpa e das emoções do irmão mais velho, estamos atravessando grande dificuldade desde que nasceu minha terceira filha. Acho que, sabendo do impacto que a filha do meio (de 3 anos) teria, nos preocupamos muito mais com esta e achamos que a mais velha (de 6) tiraria de letra. Está acontecendo agora que a mais velha adora interagir com a bebezinha, mas criou uma certa resistência e ciúmes da irmã do meio, além de um turbilhão de emoções fortes, com dose de reações mais agressivas com os pais e desobediência num nível inédito.
    Teu texto me ajudou a imaginar outras formas de interagir com ela(s) para respeitar e ajudá-las a compreender as emoções que estão vivendo.
    Forte abraço.

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