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Ter Filhos é Agridoce

"Todos nós temos dúvidas e medos. Dúvida do que virá, de como será o futuro, de como se manterá nossas relações com nossos filhos. Claro, passamos a maior parte do tempo dizendo a nós mesmos que esse é o caminho certo, mas sempre há aquela ponta de dúvida solta. Como serão os próximos meses, anos e décadas?"
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Todos nós temos dúvidas e medos. Dúvida do que virá, de como será o futuro, de como se manterá nossas relações com nossos filhos. Claro, passamos a maior parte do tempo dizendo a nós mesmos que esse é o caminho certo, mas sempre há aquela ponta de dúvida solta. Como serão os próximos meses, anos e décadas?

Mas se existe alguma coisa que permanece ainda, mesmo depois de tantas mudanças, tantas fases, tantos desafios, e tantas alegrias, é o sentimento. Um sentimento agridoce que, em alguns momentos, fica muito perceptível para nós. Essa é a história sobre um desses momentos.

O Dante estuda em uma escola que segue a pedagogia Waldorf, e ter a oportunidade de viver isso foi um grande privilégio para todos nós. Quero dizer, é muito desafiador, considerando as demandas que existem ao se fazer parte de uma escola tocada por pais. Por outro lado, vivenciar essa experiência acaba sendo recompensador e transformador.

Viver, por exemplo, a adaptação do Dante a essa escola, que pude fazer quando estava de férias, permitiu que eu ressignificasse muitas experiências que eu tive na escola. Participar daquele dia a dia, recheado de respeito às crianças, fez um carinho enorme no pequeno Thiago que mora dentro de mim. E, hoje, nos dias em que o levo ou busco da escola, são dias que sempre dão um alimento para o meu ser e o meu pensar, para o Thiago pai e pessoa.

Pois foi num desses dias, que a Anne tira uma foto nossa e deixa transbordar essa sensação que é constante na nossa vida.

Quando eles vão é sempre agridoce. Mesmo sabendo que vou ter eventualmente um tempo só pra mim entre uma soneca e outra do Gael, dá uma saudadinha. Mãe é bicho bobo mesmo.

 

Eu entendo muito o que ela sente, porque, mesmo que sob uma perspectiva diferente, eu sinto a mesma coisa.

Pode ser uma correria danada, pode fazer eu ficar desesperado de horas negativas no trabalho por chegar mais tarde quando o levo para a escola, ou por tirar um almoço bem mais longo para buscá-lo mas, olha, não tem coisa mais deliciosa do que levar o Dante para escola e viver um pouquinho do dia com ele, bem no início. Ou então, vê-lo correndo para pular no meu colo quando vê que cheguei para buscá-lo.

Melhor ainda: receber um presente dele, que normalmente é uma pedrinha ou uma semente que ele cuidadosamente pegou para me dar ou guardar na minha mochila. E minha mochila que o diga! Toda vez que eu vou procurar alguma coisa na minha mochila e a minha mão encontra um desses presentes, é certeza de um sorriso largo no rosto.

Por outro lado, é meio assustador quando a gente se dá conta que essa sensação de bem-querer só aumenta, ao longo do tempo. Ela pode ter seus altos e baixos, dependendo das dificuldades do dia-a-dia, mas no geral, ela aumenta e é tão prazerosa que dá vontade de chorar.

Mas, enquanto isso, a Anne fica nos observando ir para a escola, pela janela de casa. Ela com o coração numa mão e Gael na outra. Imagino como deve ser mesmo difícil deixar ir. Para mim também é.

Acho que não existe palavra que defina melhor o que é ter filhos: é agridoce mesmo.

Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Sou pai do Dante, Gael e Maya, e crio conteúdos para ajudar famílias a criarem seus filhos com afeto, empatia e sem violência. Sou líder certificado de grupo de apoio pela Attachment Parenting International, e também educador parental certificado pela Positive Discipline Association.

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Comentários

5 comentários em “Ter Filhos é Agridoce”

  1. Lindo o texto! Agridoce!!! É isso! E esse o sabor de viver a aventura deliciosa de ter filhos! Obrigada por compartilhar!

  2. Texto delicioso! Deu uma vontade boa de chorar. Lê-se tantas coisas em todos os lugares sobre educação dos filhos, mas o que me emociona mesmo: quando vai de encontro com nossas experiências.. quando é real. Anne falar sobre esse sabor de ter um tempo pra si e ao mesmo tempo (como? se vai um pouco da gente junto!) Tenho uma filha de três anos e 4 meses e olha, tá naquela fase que dizem durar até os dois.. ontem mesmo, melhor listar os momentos sem birra…foram tão poucos. Ela tá sempre desafiando minha inteligência: “Não quero!” ok. “quero!”.. tudo aos berros… e de repente, vem a hora da leitura, dorme… silêncio. E eu com a sensação de falta… de que poderia ter aproveitado mais. Estou adorando teus escritos. Obrigada por compartilhar 🙂 e sim, é agridoce.

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