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De Pai Para Pai: Contato Afetivo

"Promover um contato afetivo, dentro da Criação com Apego, é bem positivo para o pai e o bebê, além de ser algo que o pai pode fazer (e se beneficiar) integralmente. Uma das melhores coisas que ajudam a fortalecer o vínculo é o contato. Quando chego em casa, saio correndo para agarrar ele e brincar."

Há algum tempo atrás, eu comecei a escrever uma série de posts que mostram como pode ser a participação do pai dentro da Criação com Apego. A ideia da série é cobrir todos os Oito Princípios da Criação com Apego mas, por algum motivo que eu ainda desconheço, parei de escrever. Acho que acabei me dedicando mais a escrever sobre disciplina positiva e até cama compartilhada, mas o que importa é que estamos de volta!

Até agora, já escrevi sobre os três primeiros princípios. Se você não leu os posts anteriores da série, pode encontrar aqui:

Nesta semana, vou escrever sobre o quarto princípio da Criação com Apego: Usando o Contato Afetivo. Você pode ler aqui sobre este princípio na íntegra, mas de uma maneira geral, esse princípio se dedica a mostrar todos os benefícios do contato físico afetivo para o vínculo entre pais e filhos.

Promover um contato afetivo, dentro da Criação com Apego, é bem positivo para o pai e o bebê, além de ser algo que o pai pode fazer (e se beneficiar) integralmente. Uma das melhores coisas que ajudam a fortalecer o vínculo é o contato. Eu quando chego em casa, por exemplo, saio correndo para agarrar o Dante e fico com ele ali, brincando, dando colo, abraçando, e muito mais. Fazer essas coisas sem camisa, inclusive, é melhor ainda porque o contato pele a pele intensifica muito a conexão, sem contar que bebês adoram o “cheiro do pai”, ou o “cheiro da mãe”.

 O Contato Físico

Muitos homens têm uma certa resistência a demonstrar afeto, principalmente se essa demonstração for através do contato físico. Bem, não resista. O contato físico é uma das interações mais maravilhosas que existem e uma das poucas maneiras que você consegue expressar, de uma maneira bastante concreta, o carinho que você sente por alguém.

Alguns de nós fomos criados por figuras paternas distantes, que não davam carinho ou que limitavam ao mínimo possível os contatos físicos, e isso pode ser algo que acaba vindo à tona, quando um homem vira pai. Portanto, é muito importante refletir sobre essas questões, sabendo que não há nada, absolutamente nada prejudicial ao desenvolvimento físico e emocional de um bebê que recebe muito contato pele a pele, colo e demonstrações de carinho e afeto. Ao contrário, bebês que não recebem esse tipo de interação podem crescer e tornar-se adultos com baixa autoestima ou dificuldade de demonstrar afeto em seus relacionamentos. Vamos quebrar esse ciclo!

Mas como então fazer isso? Quais são as melhores maneiras de promover esse contato? Existem várias, é só deixar você se levar pelo seu coração:

  • Brinque com o seu bebê, brinque de qualquer coisa. Agarre, beije, fique próximo e faça o que você sentir que precisa fazer.
  • Dê colo sempre que seu bebê pedir. Sempre. Colo é uma das maneiras mais simples de se reconectar com um filho, ajudando-o a sentir segurança e afeto.
  • Se você ainda não dá, dê banho no seu bebê. Se você já dá banho no seu bebê, tome banho com o seu bebê. É uma oportunidade ótima para ficar junto com o seu filho, pele a pele, e se divertindo. Não se preocupe, a maioria dos bebês gostam muito de tomar banho no chuveiro, ao invés da banheira. Então, quando você se sentir seguro com isso, tente levar o seu bebê para o chuveiro com você.
  • A massagem também é algo extremamente positivo para o bebê. A shantala, por exemplo, é uma técnica de massagem para bebês muito conhecida e muito poderosa. Então, se você quiser e tiver um bebê que consegue ficar alguns minutos deitado (Dante nunca foi um bebê desses), você pode também se beneficiar dessa atividade!

Babywearing

Outra coisa que pode ser feita pelo pai e que promove o contato é, na verdade, o item mais famoso da lista: babywearing.

Levar seu filho a todos os lugares que você for, junto ao seu corpo, usando carregadores macios, tem inúmeras vantagens e é algo que o pai consegue fazer tranquilamente. Você pode ler mais sobre babywearing no meu post Babywearing 101.

O bacana do babywearing é a simplicidade. Você não precisa se preocupar com nada, apenas carregue seu bebê consigo, para onde quer que você vá. Os bebês só têm a ganhar, porque o nível de estímulos que eles recebem é o ideal, nem muito pouco, nem demais. O simples fato de acompanhar você em suas atividades diárias, ouvir você conversando com o jornaleiro, pagando uma conta na casa lotérica, estando juntinho ao seu corpo, é tudo que o seu bebê precisa, acredite.

E você não precisa pegar o carregador emprestado da sua esposa, você pode ter o seu próprio carregador! Aproveite que há inúmeras opções de cores e estampas para escolher aquilo que mais combina com você. Eu, por exemplo, sempre usei minha famosa kepina com estampa de sapos, e a Anne tinha outra kepina só dela. Mas o Dante cresceu, cresceu, cresceu e foi ficando cada vez mais difícil carregar ele em carregadores transversais, por isso comprei um mei tai para mim e, hoje, por ironia do destino, quem o pede emprestado para usar é a Anne!

Então, da próxima vez que você sair para comprar o jornal ou o pão, faça um favor a você e ao seu bebê: leve-o num sling (ou no seu carregador de preferência).

E Quanto a Filhos Mais Velhos?

À medida que o filho cresce e deixa de ser um bebê, as interações começam a mudar de formato. Na realidade, quanto mais velho o filho fica, mais fácil é para o pai interagir com ele de uma maneira mais autônoma, e por isso que o pai pode aproveitar essa oportunidade para estreitar ainda mais seus vínculos com o filho mais velho.

Não deixe de dar abraços, carinhos ou fazer massagens. Não é porque seu filho cresceu que você precisa ser um troglodita com ele. É sempre importante lembrar que todos os seres humanos têm uma necessidade de serem tocados, de terem contato pele a pele. Então, quem melhor que um pai (ou a mãe, claro), para atender a essas necessidades?

Quanto mais velho seu filho fica, mais as chances de você “seguir a liderança” dele, no que diz respeito às brincadeiras. Deixe-o guiar as brincadeiras que fizer e apenas siga os sinais, aproveitando para sempre promover o contato físico ou a proximidade com ele. Brincadeiras de agarrar ou cócegas são ótimas para isso, mas devem ser feitas com cuidado para não machucar ou para não ultrapassar os limites do seu filho. É sempre bom lembrar que ninguém gosta de ficar preso com alguém fazendo cócegas por 15 minutos seguidos.

Thiago Queiroz

Thiago Queiroz

Pai de quatro, escritor, educador parental, criador do site e canal no YouTube Paizinho Vírgula!, host dos podcasts Tricô de Pais e Vai Passar, autor dos livros "Abrace seu Filho" e "A Armadura de Bertô", e participou do documentário internacional "Dads".

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Comentários

2 comentários em “De Pai Para Pai: Contato Afetivo”

  1. Estou me debatendo com essa questão há um mês, desde que meu anjinho Iuri completou o primeiro mês, a partir do qual recomenda-se começar a shantala: como fazer isso se ele não para deitado por longos 10 ou nem mesmo 5 minutos? Aliás, ele mal fica esse tempo todo acordado sem mamar…rsrsrs Bom saber que ele não é o único ^^ A propósito, em algum momento vocês conseguiram começar a shantala com o Dante? Nós só conseguimos fazer massagens rápidas durante as trocas 🙂

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