Semana passada, eu publiquei a primeira parte do texto que eu escrevi para o blog da Attachment Parenting International. Na época, elas pediram que eu escrevesse sobre a experiência de ser um pai apegado aqui no Brasil, e eu fiquei transbordando de felicidade com o convite!

O meu texto original está em inglês, e você pode encontrá-lo aqui.

Os Desafios de Ser Um Pai Apegado – Parte Dois

Para ser bem sincero, eu acredito que sensibilidade é a chave para que um pai se dê bem com a Criação com Apego. Nós precisamos nos permitir sentir desse jeito, sem ter medo ou sem se preocupar com que os outros possam pensar sobre a nossa masculinidade. O que é ser um homem, afinal? Se é beber cerveja e assistir futebol, então eu temo que eu nunca tenha sido um homem de verdade. Tem que ser mais que isso!

Mas infelizmente, muitos homens hoje não criaram vínculos de apego seguro com seus pais. Muitos de nós não recebemos amor e afeto quando éramos pequenos. Alguns de nós dizem que apesar de tudo, nós sobrevivemos. Então por que, agora, nós temos que oferecer todo o amor e afeto que muitos de nós não receberam? Por que não é uma questão de sobrevivência, é uma questão de prosperar, e todos na família deveriam ter uma chance de prosperar através do amor.

Ainda não tem certeza sobre por que deveríamos ser pais apegados?

Porque vale a pena.

Eu nem sou pai por muito tempo e já posso dizer que realmente vale a pena. Assim que eu percebi que é, de fato, possível (e agradável) ser um pai apegado, eu senti que precisava ajudar a espalhar a mensagem. Já está na hora de assumirmos nossos papéis de pais (e não meros provedores) e viver isso intensamente. É hora de uma nova geração de pais que vão além de ajudar suas parceiras em casa.

É tempo de pais apegados.

Felizmente, por toda a internet, nós podemos achar mães escrevendo sobre suas experiências e desafios enquanto criam seus filhos com apego. Há muitas histórias lindas e empoderadoras por aí, que você pode encontrar facilmente e aprender com as experiências. Porém, não podemos dizer o mesmo para pais. Ainda há poucos homens falando sobre a paternidade.

Por isso, eu comecei a escrever para o meu blog no Brasil, e meu objetivo principal era mostrar aos pais que era possível quebrar o ciclo. Um homem não é menos homem se ele cuida e ama seu bebê. Ser sensível é uma bênção, não uma maldição.

Mas logo eu percebi que o propósito do blog deveria ir além de ajudar homens a conscientizarem-se sobre a paternidade ativa. Eu notei que eu poderia ajudar mães e pais, escrevendo sobre as minhas experiências com a Criação com Apego.

Isso é muito bom porque, aqui no Brasil, ainda não existe muito material disponível na nossa língua, que trate especificamente da Criação com Apego. Contudo, para minha feliz surpresa, eu comecei a perceber que muitas mães e pais já praticavam a Criação com Apego no Brasil, mesmo sabendo que isso que eles faziam tinha um nome. Eles faziam isto por instinto, que é uma das bases da Criação com Apego. Acredite nos seus instintos. Você é o especialista do seu bebê.

Alguns meses depois, eu senti que eu poderia fazer um pouco mais, então eu decidi entrar num processo de treinamento para líder API, de forma a poder criar um grupo de apoio da API aqui no Brasil. Eu espero que dessa maneira eu consiga ajudar ainda mais os pais, tendo o suporte da API que eu conseguir obter.

O programa de treinamento por si só foi uma incrível jornada de autoconhecimento. Cada vez que eu trocava emails com a pessoa que me guiava durante o processo, cada livro que eu lia, cada reflexão que eu fazia, tudo isso me ajudava a entender melhor não apenas as maneiras diferentes de se criar filhos, mas também me ajudava a entender o outro. As pessoas estão aí e elas não precisam só de ajuda para criar seus filhos, elas precisam de compaixão e empatia também.

Eu organizava alguns encontros de pais na minha comunidade para falar sobre Criação com Apego. Não é um grupo de apoio oficial da API, mas eu gostava de pensar nisso como um estágio. É fantástico ver quantas pessoas estão buscando apoio, e como elas se sentem ao ver que não estão sozinhas nas escolhas que fazem sobre a criação de filhos. É uma experiência incrível e eu não tenho dúvidas de que será ainda melhor assim que o grupo de apoio estiver formado.

Muitas pessoas pensam que eu devo receber alguma resistência por ser um homem e estar tão engajado na Criação com Apego. Mas eu acredito que eu posso dar um ponto de vista diferente que também pode ser interessante para as mães. Eu tenho total consciência dos papéis que pais e mães podem usar na criação de filhos, e quão importantes esses papéis são, independente do gênero. Eu também sei que eu não tenho os super poderes de parir e amamentar, mas eu também posso oferecer suporte, através da empatia. Afinal, às vezes, tudo que nós precisamos é de empatia quando estamos tendo dificuldades.

Além disso, ser um pai em um grupo de discussão já me mostrou ser um incentivo para outros pais participarem, que é bem legal. Alguns homens podem ter a visão de que um grupo de discussão é um bando de mulheres com bebês em slings falando sobre vários tópicos de criação. Bem, essa visão é bastante precisa, mas não significa que deva ser evitada pelos pais. Então, quando eles sabem que tem um cara ali falando com o grupo, eles sentem-se mais confortáveis de participar dos encontros.

Meu filho, minha esposa e a criação com apego não me ajudaram apenas a ser um pai melhor, mas também me ajudaram na minha jornada de se tornar um ser humano melhor.